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PARTE II - O Rei e o Príncipe.

  (REPOST DA PARTE I - continuação abaixo):  O Rei e o Reino.  Há um homem cansado, sentado na salão. Seu cansaço repousa sobre o trono real. E logo acima da sua cabeça velha, de fios brancos, lutas e dias tantos, existe uma coroa. Antes dourada, hoje manchada, mas ainda cravejada de pedras, rubis e diamantes. Suas mãos enrrugadas, magras e fracas, já foram grandes mãos de um guerreiro. Admirado, temido, faminto por vitórias e nunca vencido. O salão estaria vazio se não fosse por ele. Sua respiração produz núvens brancas de vapor invernal. Sobre seus ombros, um manto veradeiramente real. Vermelho cor sangue. Com taxas de metal e brancas bordas esvoaçantes, sem igual. Lá está ele, sentado ao trono sobre o último degrau. Como quem dissesse ao próprio reino: "- Vejam todos, estou no ponto mais alto do Reino. Acima de qualquer montanha ou de qualquer desejo. Aqui, vos digo amigos e inimigos: temei-me. Pois ao som da minha voz, frias lâminas afiadas deslizarão pelos seus pesco...

Imagina se o tempo fosse infinito...

Escrevo isso para o meu filho. Ele se chama Fernando e tem (no momento em que escrevo isso, 3 anos 8 meses e 3 dias de vida). Eu ouço  NOVO AMOR (clique aqui)  enquanto despejo essas palavras aqui. O tempo não é infinito meu amor. Mas te ver crescendo é um previlégio que nunca esperei ter na vida. De fato, após te conhecer, nada foi igual. Você mudou a mim, a sua mãe, nossas famílias se reorganizaram com a tua chegada. Houve espaço criado para ti. Espaço que tu criou, chegando e sendo amado por tantas pessoas. A vida é rápida, hoje tenho 42 anos, mas me lembro claramente de quanto tinha 10. Tu tens 3, quase 4... O tempo é inexorável. Suas marcas são inevitáveis. Você meu filho, meu pequeno grande amor, é uma marca do tempo. Assim como eu, tua mãe e todas as pessoas desse planeta foram antes de nós. Nossa vida é preciosa e existe muito BEM, nesse planeta que escolhemos habitar. As vezes, pode ser difícil perceber isso. As vezes, podemos ter nossa visão turvada por sentimentos c...

A META DO ALGORÍTIMO, NÃO É HUMANA...

Você já falou sobre determinado assunto, e depois encontrou esse tópico anunciado nos programas que chamamos de "midia social". Eu sei que sim. E perceba, não estou escrevendo sobre DIGITAR e depois ser abordado. Eu disse: FALOU! É, estranho né!? Até perigoso, porque não? Eu reparei algo a alguns meses, meu carro sabe para onde estou indo. Não, eu não estou ficando maluco... Dependendo do horário e do dia da semana, meu carro tem a intrigante capacidade de me sugerir rotas para meu destino, sem eu apertar ou digitar nenhuma tecla. E não, não é um carro do topo da linha. Mas foi comprado zero km em 2022. Então ele vem de uma geração que acha isso normal. E ele é bom em sugerir meus próprios destinos. "X TEMPO ATÉ SEU TRABALHO" Eu realmente estava indo trabalhar. "X TEMPO ATÉ A SUA CASA" Eu to indo pra casa... "X TEMPO ATÉ O COLÉGIO DO SEU FILHO" Eu vou buscar meu filho. "X TEMPO ATÉ O RESTAURANTE Z" Chega! Como ele sabe que a gente tá in...

A VELHA LOBA

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Nas terras ao Norte, não importa em que tipo de solo seus pés pisem, todos moradores conhecem a história da velha Loba. Para alguns, a história é antiga como o tempo. Mas não espere encontra-la em estátuas, ou tomos das bibliotecas e universidades. A velha Loba é uma história contada pelos avós junto a fogueira. E mesmo que para alguns, sejam somente histórias, ela nunca desaparece por completo... Dizem que antes das cidades terem muros e dos rei usarem coroas, o homem vivia mais perto da natureza. Curávamos nossas feridas com folhas e ervas, cuidávamos das nossas crianças com frutas e flores. E acima de tudo e todos, respeitávamos a natureza. Caçávamos sim, mas nunca filhotes. Colhíamos e plantávamos nos campos. Mas haviam muitos lugares que não ultrapassávamos. O elo entre os homens e a terra era vivo e forte. Sadio e equilibrado.  De tempos em tempos, saiam das florestas densas para os bosques abertos, homens e mulheres que falavam com os animais. Que se camuflavam como se fosse...

Ode cardiáco.

Existe um lugar distante, longe de tudo. Em que a vida é sempre infante. E o tempo não provoca luto. Um lugar escondido. Secreto à tudo. Guardado no  peito calado. Habita, o coração mudo.
O busto parado na praça Assiste a vida que passa Toma chuva no tempo Sente o pó do vento Sem pressa, o busto  espera a sua hora

Quatro vezes: sim, pois não!??

O cachorro late na rua. Verdade nua e crua. De quem é a culpa? É só mais um cachorro! Na rua, mato ou morro. O vento sopra no inverno. Frio como o inferno. Silencioso movimento incessante  Num mar de instantes. Passa o tempo, tic tac. Os relógios não param, tic tac. Como pessoas trabalham, tic tac. Em prédios e lojas de pregos, vendendo caixões e remédios. Tic tac. A tarde é preguiçosa. A preguiça é perigosa. O perigo é prosa. À rima corrida da vida.