Mensagens

Fernando Pessoa.

Nesta vida, em que sou meu sono, Não sou meu dono, Quem sou é quem me ignoro e vive Através desta névoa que sou eu Todas as vidas que eu outrora tive, Numa só vida. Mar sou; baixo marulho ao alto rujo, Mas minha cor vem do meu alto céu, E só me encontro quando de mim fujo.

Assista: http://www.youtube.com/watch?v=RCNbbGwAguA

"Quem vê, não acha que ele pode ! Mas ele sempre tenta e vai atrás... Negando seu troféu de maior idiota do mundo ! " Não é nada de novo, mas é bom : ) Bom, pelo menos que acho bom ! Acho do caralho, tipo take de olho de peixe bem enquadrado, bem iluminado, num steady bem equilibrado, com um ator que atua bem, num roteiro bem escrito, Corta. Existem algumas coisas que não podem ser dissecadas. Se você as explicar, elas perdem a magia e caem por terra. É como se o sentido estivesse no mistério. Se o mistério for perdido, a magia foge para o Mundo da Magia Fugitiva. Outro dia uma amiga me disse que meu blog parecia um diário. Quase a mandei tomar no cú. Só se fosse um diário de um leprechaun divorciado que jamais voltou de uma viagem ruim de ácido. Mas eu n disse nada, só sorri de volta. Não valia a pena corrigir. Sabe quando não vale a pena corrigir ou explicar ? Como se pelo fato de eu ter explicado, a magia seria quebrada. O murro da cara ainda tem magia. E tudo que eu posso...

Só um pouco mais de Sigur Rós.

O café amargo, é mais amargo do que realmente é. Café preto, desses sem cigarros. Sem nada para adoçá-lo. Sem xícaras lado a lado. Esse café é solitário. Sobre a mesa da cozinha, não há torradas, frutas ou esperança. O café solitário é servido puro, forte e desacompanhado. A manhã vem como um chamado. O sol, chama que queima despreocupado. Meu nariz quase sempre frio, do inverno passado. Sem chocolates ou sorrisos. Só o café solitário... Passa pela janela do apartamento um cavalo alado. Asas brancas em slow motion bem renderizado. Seus olhos negros brilham contra o vidro, da janela ao meu lado. Lá fora o mundo parece um lugar distante. Avesso ao que é dado, eu rejeito futuro e passado. Pois do que serve a previsão da árvore, quando sempre lhe dão o machado ? Viver é algo que faço calado.

Canetas não escrevem o que eu quero dizer.

Dá pra tentar falar, mas a voz vai se recusar a sair. Como se todas as letras de cada palavra reverberacem através da garganta e se chocassem por maestria do destino. Por pouco não sairiam. Ficariamos com aquela cara de tansos que fazemos quando caimos no chão. Quando achamos que algo é de um jeito, mas é de outro. Como quando tropessamos numa pedra ou escorregamos numa poça de lágrimas. Não é um tombo memorável, é só um deslize. As vezes, ninguém percebe. As vezes teu sobrinho te filma e manda a mini-dv pro Faustão passar em rede estúpida nacional. De um jeito ou de outro, é essa a expressão do rosto. Como de quem achava que ia, mas acabou não dando pé... Você engasga e alguém do seu lado pergunta se está tudo bem. Você diz que sim só com a cabeça... Que é pra não parecer estranho demais. Dá pra tentar escrever, mas seus dedos vão formar um nó de marinheiro em cada mão. No melhor estilo Guilhermo Del Toro. Como se os ossos de cada um deles se dissolvesse no mundo da alegria e só sobra...

Epitáfio.

Aqui jaz a solidão do solitário. A tristeza do improvável. A agonia do sem destino. E o medo do que teme. Em vida, nada fez, além de mais um ser que foi. Existiu como todos os tantos que existem para somente morrer depois. Igual ao antigo, igual ao igual. Comum como tudo que há de similar e formatado. Mas ainda assim, foi o único a viver seus dias. O único a viver seus amores. O único a viver suas mentiras. E o único a sentir suas dores.

Meu coração e o vento.

Um sopra o outro uiva. http://www.youtube.com/watch?v=RCNbbGwAguA

Amargo.

Ao olvidar os dias, cicatrizo a cortina e me acalento. Ditos próximos e intímos se evaporam agilmente em um momento. Resta o amargo da lembrança e a triste esperança... De que dor e pesar que comigo carrego. Fujam para a névoa do jamais recorrer. O mais intangivel dos pesos que tenho, é o medo. Não por incomensurável tamanho. Mas por as vezes ser um menino desatento, e noutras um copioso ser truculento. E lutam por minha atenção os sabores que me permeiam. Numa valsa mórbida além do tempo. Como se o viver fosse sempre embora. Passam os dias, estações, lágrimas e as horas. Só não passa o passar. O escorrer das areias. O morrer do viver. E o nunca mais voltar ! Pois existir é eternamente morrer por se apaixonar.