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A mostrar mensagens de abril, 2019

Sobre ser livre em mundo de masmorras.

Eu prefiro ser livre. Isso não me faz melhor que ninguém. Mas também não dá pra aceitar que me faça pior... Ser livre é no fundo uma declaração de independência. Um grito de liberdade contra os grilhões que violam a rotina que te proíbe de florir na primavera. Que não te deixa abrir as asas e voar. Que te diz que não vai dar pé, que não vale nem tentar. Claro que o risco não é o único preço que a liberdade cobra. Li em algum lugar que o que a vida quer é que tenhamos coragem. Talvez, mas principalmente, a vida quer que tenhamos coragem para desafia-la. "- Tu vai falar alguma coisa?" Em silêncio por muito tempo, ele levanta os olhos lentamente. "- Não vai né?" - perguntou ela com os olhos semi cerrados. - "Tu vais ficar quieto..." Ele respirava fundo. Não de forma barulhenta ou agressiva, só respirava sentindo o ar circular pelas narinas em direção aos pulmões. Num ato intenso, ritmado e profundo. Como se cada respirada fosse uma chance de viver mais um...

Quando eu era pequeno.

Sol nascendo sempre me dá esperança. Sempre me deu. Sol nascendo é a semiótica do universo resumida na imensidão do céu. Eu lembro de quando criança, assistir por vários dias o sol nascendo. E quando eu conversei com meu pai sobre isso ele me aconselhou a desenhar ou escrever sobre o que eu sentia. Acho que eu to até hoje fazendo isso: escrevendo e desenhando o que sinto. E sei lá, não me parece que existe certo e errado nisso. É só algo que aconteceu. E também acho que esse pensamento de não me permitir ver o "certo ou errado" nas coisas é algo que faço a pouco tempo. Na real, foi depois dos 30 que isso começou... Antes eu julgava com muito mais frequência. Aprendi que quanto menos eu julgo, mais leve eu me torno. No final, é um ato hedonista, de querer ser mais leve. Talvez até de ser mais feliz. Mas de qualquer forma, é melhor assim. A vida é curta demais para sinais vermelhos, ouço alguém dizer. E de fato, acredito que seja... Mas entendo que os sinais vermelhos aqui, não...

Me atiro sobre o tiro.

Eu tava pensando que todo começo de texto é a eclosão de um casulo. Não sei como os outros escrevem, eu pelo menos, nunca tenho certeza do que vai sair pela ponta dos meus dedos. É parecido com a maturação de uma fruta, tu não tem certeza do sabor do morango até poder prova-lo. Eu sei que já falei sobre isso antes, mas a página em branco é um desafio para qualquer um que deseja se expressar. Ela é a primeira a ler o que se diz. E as vezes te diz que não gostou do que está escrito. Outras vezes ela permanece em silêncio. O fato é que nem sempre se pode ouvir as vozes pelo caminho, a voz da página em branco é só mais uma a ser ignorada. Mergulho mais fundo e o que me vem a mente é um emaranhado de lembranças. Ainda essa semana eu sonhei com o meu velho pai, ele sorria, parecia super bem, mais jovem do que da última vez que eu lhe vi. É um daqueles sonhos que são parte sonho, parte pesadelo. Eu lembro de sorrir de volta pra ele e do pensamento "pô, agora eu posso falar contigo sobre ...