Sobre ser cego e ver.
Sentei porque queria escrever um verso que a tempo me persegue. Mas meus dedos se recusam a me obedecer. Tento desenhar, ligo alguma música e mergulho no meu fone de ouvido. Enquanto afundo, olho para a distância da superfície aumentando e sinto minha alma e minhas vísceras indo em direção ao desconhecido. Eu gosto. A força da gravidade não impede o espírito de sonhar. - ouço uma voz me dizer. Eu concordo. E lá se vai a realidade nas águas turvas desse oceano de pensamentos e sentimentos soldados como moléculas de água. Dentro desse líquido transparente eu vejo tudo distorcido. Seria isso um útero? Suspiro uma respiração longa e deixo a sensação de gelado me brisar ainda mais. Tenho sono. Será um sonho? Será que eu estou sonhando que estou sonhando? Tudo que tem preço, perde o valor. Vejo escrito na pichação de rua. Fica mais leve o peso do meu coração. E agora que sou mais velho, meu bom coração é mais gelado. Canta o Arcade Fire em um coro bonito e triste. Passam por mim alguns papéi...