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A mostrar mensagens de dezembro, 2017

Te vejo depois.

Tempo, nobre amigo, para onde vais com tanta pressa? Para onde escorre essa tua areia tão fina, que é? Como eu recupero aqueles dias? Tu que nos foge sem alarde, e quando vemos, só deixasses saudades... Eu te imagino, fugindo para algum recanto do universo. Como uma poesia desconhecida guardada a sete chaves. Em uma gaveta antiga. Depositada entre cartas de amor que nunca forem entregues. Entre músicas que ninguém mais escuta. E livros que não tem o final feliz. E ali tu ficas. Como poeira fina. Quase invisível. Que só aparece após décadas de acúmulo. E é aí, que vemos as horas do relógio. E pensamos: "- Quanto tempo faz...?". Faz tempo! E sobra menos dele a cada tempo que se faz. O tempo é ardiloso. Esperto como ele só. Tempo se perde, quase nunca se ganha. Tempo se tinha, quase sempre não se tem mais... Tempo flutua, como vento, invisível sobre todos nós. Mas não refresca, não te brisa. Não, o tempo te engana. Tens tempo, resolve amanhã. Outra hora tu ligas. Se não der hoj...

Eu prefiro abstrair.

É por bem que eu não curto discutir. Tudo bem que ninguém diz que curte discutir. Mas eu penso que tudo se enrola muito quando as ondas da discussão se chocam no meu mar. E tu fica confuso, vendo aquele monte de espuma em cima da água. Indo para lá e vindo para cá. Sem parar de borbulhar. E girar. E subir e descer. A confusão é parte da vida, eu sei. E nem vou negar, dizendo que prefiro a permanência total do silêncio. Não prefiro. A vida sem caos é tediosa. Ao mesmo tempo que seu destempero a compromete. Como um doce muito doce, ou nada doce. Ou um salgado muito salgado, ou nada salgado. É preciso saber tempera-la. Espera-la marinar. E saber o tempo certo de entrada e saída do forno. A vida queima. E vida queimada é normalmente amarga. Produz caretas de asco em quem a consome. Acho que como qualquer um de nós, eu também já comi porções de vida queimada. Vida queimada não se vomita pela boca. Vida queimada se vomita pelas lágrimas dos olhos. Vida queimada escorre salgada, mesmo quando ...

A vida é uma curtida do facebook.

Me canta Cícero ao pé do ouvido: a vida segue sem alarde.  Naquela ligação que tu ias fazer, mas ficou para mais tarde. Com o teu amigo que ias tomar uma, mas não aconteceu. Tipo aquele texto que eu escrevi em um guardanapo, e que se perdeu. Ou aquele desenho que a gente rabiscou, e ninguém mais viu. A vida se esgueira por entre os "tic-tacs" dos relógios. A cada pulsação do coração, ela se encurta. Na rotina dos dias ela se acostuma. Como uma dança hipnotizante, ela te prende parado. A vida te faz capacho. E tu de joelho dobrado, se sente elogiado. Até o dia em que tuas mãos se enrugam. Teus olhos e ouvidos, falham. E tu pergunta: "- Para onde foram todos esses anos?" E a vida responde com um sorriso de chumbo. Um sorriso de vala, com pregos e caixão, no fundo. E de lá, soterrado nos dias que tu viveu, tu pensas: "- O que foi que aconteceu?" Nada demais. Tu só viveu.