Te vejo depois.
Tempo, nobre amigo, para onde vais com tanta pressa? Para onde escorre essa tua areia tão fina, que é? Como eu recupero aqueles dias? Tu que nos foge sem alarde, e quando vemos, só deixasses saudades... Eu te imagino, fugindo para algum recanto do universo. Como uma poesia desconhecida guardada a sete chaves. Em uma gaveta antiga. Depositada entre cartas de amor que nunca forem entregues. Entre músicas que ninguém mais escuta. E livros que não tem o final feliz. E ali tu ficas. Como poeira fina. Quase invisível. Que só aparece após décadas de acúmulo. E é aí, que vemos as horas do relógio. E pensamos: "- Quanto tempo faz...?". Faz tempo! E sobra menos dele a cada tempo que se faz. O tempo é ardiloso. Esperto como ele só. Tempo se perde, quase nunca se ganha. Tempo se tinha, quase sempre não se tem mais... Tempo flutua, como vento, invisível sobre todos nós. Mas não refresca, não te brisa. Não, o tempo te engana. Tens tempo, resolve amanhã. Outra hora tu ligas. Se não der hoj...