Um pouco do que é soul.

Manda um beijo para ela. Diz que eu espero que esteja tudo o mais bem possível. Somos daquelas pessoas que sabem que a vida pode ser bem cruel. Nos alegramos com muito pouco: um nascer do sol bonito. Um doce inesperado. Um café em um sábado preguiçoso.
Diz que a vida vai ser gentil. Ela vai saber que talvez não seja, mas vai gostar de te ouvir dizer isso. Diz que a vida é mais vida de manhã. Que na entre leitura do universo, na semiótica da existência, o nascer do sol tem significados lindos. Começo e recomeço. Esperança na chegada da luz. Princípio de existência. Primeira página de livro que queríamos muito ler.  O novo. Que se repete a milhões de anos. Mas que continua sempre novo.
Violão folk e essa chuvinha. Meus projetos renderizam e esperam em arquivos do word para sairem do papel. Mas eu tenho pensado em outra vida. Nos caminhos além das montanhas. Em céus diferentes. E no mesmo sol.

Alguém algum dia, me disse que isso é um teste. Que estamos todos no Show de Truman (agora que reparei na fonética de TRUE - MAN. intrigante) de alguém. Talvez sejamos os protagonistas. Talvez sejamos os mestres Yodas. Talvez sejamos vilões. A certeza é de que não teremos a chance de reconhecer nossos pais em uma tempestade de um mar mecânico. Não. Aquilo era cinema. Isso aqui é a vida.
E a vida não imita a arte.
A arte também não imita a vida.
Mas as duas andam de mãos dadas, nos nossos fim de tardes. Tomando chá e falando sobre Wes Anderson. Não do diretor, mas da pessoa. Que também dirige. E uma fica empurrando a responsabilidade sobre a outra.
Até que a vida decide por fim na existência. Tipo a dona da bola, que vai embora sem olhar para trás.
A arte fica no campinho do bairro. Pensando algo como: "agora, que saiu da vida, ele vai fazer sucesso".

 Em algum lugar do planeta, alguém lê:
"- Decifra-me ou te devoro!"
E tudo que eu queria dizer, era: diz pra vida que eu ainda acredito nela. Manda um beijo. Bom dia. 
Boa tarde. 
E, se eu não te ver de novo, boa noite.

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