Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2014

Meu VT de Natal.

CORTE SECO NA CENA ABAIXO. O vídeo mostra uma cidade no final da tarde. Céu "instangrônico", vermelho amarelado com núvens cinzas mescladas nas brancas. Com morros emoldurando um sol poente. O locutor de voz grossa e adulta, parecendo um "conselho de vô" diz: "- A parte que realmente importa da vida é difícil de encontrar." Começa trilha no estilo Tiago Iorc na referência mas sem vocal. (CLIQUE AQUI). Mostra uma igrejinha estilo cidade do interior, bem de perto. Com um movimento de cabeça de tripé suave enquanto algumas pessoas entram sozinhas e acompanhadas. "- Porque essa parte pode estar em qualquer lugar." Mostra um grupo de alguns seis jovens dançando em uma casa/quarto de pousada com um deck de frente para uma vista estilo Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina. "- E pode se materializar de tantas formas que é praticamente impossível conta-las." Mostra uma sala de uma apartamento com uma mulher adulta com seus 30 e pou...

Desconecte-se ao final do texto:

O desconhecido. Frio. Longo. Silêncioso. O infinito. Interrogador. Desesperador. Absoluto. O espaço. Flutuante. Agonizante. Ritmado. O planeta. Azul. Molhado. Indiferente. O continente. Quente. Pobre. Pequeno. O país. Gigantesco. Rural. Sujo. O estado. Isolado. Perdido. Partido. O morros. Pobres. Pedras. Putas. A cidade. Orgulhosa. Envidraçada. Ignorante. A rua. Empoeirada. Esgotada. Indignada. A casa. Vazia. Elétrica. Cheia. A pessoa. Raivosa. Amante. Dormente. A alma. Transparente. Enorme. Inexistente. O desejo. Pulsante. Inflexível. Insistente. O vazio. Completo. Férreo. Mutável. O desconhecido. Frio. Longo. Silêncioso. O infinito. Interrogador. Desesperador. Absoluto?

Um inverso do universo.

Se o céu é azul agora, eu percebo, é porque foi noite antes. E será de novo. Não há erro, a noite e o dia vem e vão. As estações se alternam. As pessoas nascem, as vezes crescem mas sempre morrem. Sempre. Procurando por pilares inquestionáveis encontrei um garoto de 8 anos anos que achava que dragões existiam. "- Eles existem!" - ele me disse cheio de certeza - "Eu já vi!". "- Você viu aonde moleque dos inferno ??? (plurais errados propositadamente acentuam o tom agressivo)". "- Existe uma caverna ali naquela montanha..." "- Aquilo é um morro, não uma montanha!" - eu o interrompi. "- É uma montanha!" - ele insistiu. "- Aquilo ali é um morro! E por pouco não é uma colina. É um morro baixo!" - expliquei. "- É uma montanha e tem um dragão que vive lá em uma caverna. Eu vi!" -  "- Você está mentindo. Saiba disso. Podes pensar o que quiseres. Mas isso não é a verdade...". Ele virou de costas p...

(in)correto(out)

Sempre que me sento para escrever, penso no que mais poderia estar fazendo. Hoje me ocorreu que eu poderia estar roubando, poderia estar mendigando, mas estou aqui no meu horário de trabalho de alguma outra forma, "trabalhando". Um autor me diz que a produção de qualquer peça literária envolve o longo e penoso processo de confronto com o que temos guardado mais no fundo. Eu acredito que escrever seja como caçar um caranguejo no mangue. A diferença é que aqui eu me sujo de mim mesmo e não com lama.  Não tem banho que limpe esse tipo de "sujeira". É bastante terapêutico. As pessoas normalmente se acalmam depois desse processo. Depois de se conhecerem um pouco mais. As vezes você enfia o braço até o ombro na lama do seu âmago e o que sai não é um caranguejo. É uma outra coisa. As vezes algum dos seus caranguejos pode lhe pinçar a mão. Vai doer. Vai sangrar. Mas da próxima vez, você tira alguma coisa de lá que faz valer a pena. É estranha essa idéia de evoluir baseado ...

As camadas da minha cebola.

O eu que fui é o que me deixou ser o eu que sou. Mesmo tendo errado tanto. Tendo sido tão ruim em tanta coisa. Só posso ser eu hoje e ver que o que fui não era, muita vezes, quem eu queria ser. Porque o fui. Se não fosse, talvez, ainda estaria sendo. Não que tenha alcançado no eu que sou, toda glória e razão que meu âmago almeja. Longe disso provavelmente. Continuo perdendo eus pelos caminhos. Batendo nas portas erradas. Cruzando as esquinas da dúvida. Partindo lindos vasos de rosas vermelhas. Por exemplo: a palavra vasos que acabei de escrever, saiu originalmente com z. Precisei corrigi-la. Mas originalmente a escrevi errado. E a partir do momento que a escrevo certo, continuo. Pena que entre seres humanos o "delete" não possa ser usado. Teria dito talvez: "- Meo, sabe aquele dia que eu fiz aquilo?" "- Sei Leandro...." "- Acabei de deletar. Pronto!" "- Obrigado." Não. Infelizmente será? Sei que é não. Mas será que é infelizmente? ...

O que não acompanha o ritmo.

Perde o passo. Já passou. Outro céu que voou. Dia longo, se é assim. Há de terminar. Mesmo sem fim.

Se houver Deus.

Se houver Deus, eu sei que ele vai nos perdoar. Se não houver, nada mudará. Esse texto até pode ser escrito por mim, mas a última coisa que ele é, é meu. Digo isso porque já escutei muita opinião sobre esse assunto e sei como pode ser violento construir ou descontruir a religião em alguém. E não, esse não é o meu propósito. Definitivamente. Para começar, acreditar ou não acreditar em alguma forma de religião é algo com muita pouca importância para uma relação distante. Eu não quero saber se meu chefe ou meu funcionário acha que Buda é o cara ou se considera toda forma de crença um forma de charlatanismo. Deles (do meu chefe e do meu funcionário) eu quero uma boa relação profissional. Com ética, seriedade e comprometimento. Fim. Acredite em quem você quiser durante o processo, nada mudará para mim. Mas ainda assim, algumas pessoas nos fornecem as suas referências matrizes (que por sua vez, foram recebidas por elas através de outros ícones ou formadas pela ausência de matrizes originai...

Aquele meu eu que te dei.

O mundo girou e me deixou aqui do lado. Não tenho pena de mim mesmo, sei que não é bonito. Não vivo a vida dos sonhos mas as vezes me permito. O mundo é um palhaço mambembe  que vive a gargalhar. Mas pode ser que seja feliz. Depende de que boca fala e do que ela nos diz. Pelo que entendi da vida até aqui, quase tudo é questão de perspectiva. Quem tá em cima olha para baixo, quem tá dentro olha para a saída. Os do lado direito não olham pra esquerda e os lado esquerdo não olham pra direita. Os do centro gostam de sambar, os da ponta curtem mesmo é dançar Sigur Rós sozinhos pela casa. Tem quem adore preto, quem só use branco e o pessoal do roxo. Existe o simpático sincero, o antipático falso e o indiferente divertido. Aquele que não fala quase nada com nada, mas sempre dá um jeito de parecer ser teu amigo. Acho que o que estou dizendo é:  existem bons livros e livros ruins. E não é porque você começou a ler um livro que achou fraco que deve parar agora. Você pode termina-lo. Alg...

Você me dá um copo de água?

Mesmo com a boca aberta para o céu em um dia de chuva, minha sede não passou. As gotas enchiam minha língua e transbordava pelo meu queixo, escorrendo. Ensopando minha roupa. Enxaguando minha alma. Mas a sede não passou. A sede da vida deveria ser eterna. E talvez seja, não sei ainda. Pena que tantos de nós tomam refrigerante no lugar da água cristalina que existe por aí. A chuva, para a linguagem semiótica cinematografica representa a mudança, a alteração do curso. Como uma camiseta que era seca e foi molhada. Que ficou mais escura, que ficou mais pesada. A sede da vida é a vontade de continuar. A necessidade de ir além daquele morro. De ver por cima daquela nuvem. De fazer mais. Um grito silencioso de liberdade. Um tapa no rosto da vida. E um copo de água, por favor. Só mais um...