Soneto, à solidão.

Doce amiga, onde tu estás ? Eu perguntei à calada do breu. Para onde tu foi ? Te procurei nas xícaras de café, nos sorrisos da rua, nos apertos de mãos e nos olhares das almas nuas. Para onde tu foi ? Ouvi o eco ou perguntei novamente ? Minha mente me engana. Truques silenciosos na escuridão. Suspiros em minhas costas. Sobras de sentidos pelo chão. Vejo um mundo com uma prisão. O albergue da vida. Onde tu estás ? Sinto o frio do medo. Da dor que antecede o que sempre vem muito cedo. Aquilo que postergaríamos se houvesse a chance. Se soubéssemos como. Se.
Nesse barco solto sobre o mar da vida. Com os ventos que uivam nossos dias. Eu imaginei, a terra é o barco. O universo o mar. A morte é a vida. Com caminhos que só nos levam a descaminhos. Minhas unhas quebradas e meus sonhos partidos. Com cabelo branco eu continuo em busca do sentido. Como um cego com uma lanterna na noite chuvosa, gritando pela solidão em rima e prosa. 
Não há espaço para mais disso. E sempre haverá espaço para um pouco mais de tudo. 

Doce amiga, onde tu estás.

Estou sozinho. 

Sempre só pra solidão.
Sempre sopra solidão.
Nessa direção.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sempre só pra solidão. Sempre sopra solidão.

O Rei e o Reino.