Ouça o que eu acho.
Um homem moribundo no frio, sem sapatos. Ele caminhava ouvindo o gralhar dos corvos sobre a sua cabeça. Seus pés negros, consumidos pelo frio, não sentiam mais o pisar. Mas parar não era uma boa opção. Resmungava numa língua a muito esquecida, sobre os dias passados. Sobre os verões antes vividos e as noites de céu claro que havia visto. Seu corpo magro e torto, era a soma de tudo que ele era sem querer ser.
Homem moribundo que caminha, ouça minha súplica:
Volte pra casa. Não há nada para ti aqui. E mesmo que houvesse, tu morrerás antes de encontrar. Sem dúvidas.
E é então que ele me olha e diz:
"- Não vamos todos nós, caro amigo viajante ?" - e dá mais um passo a frente. Rumo ao lugar que chegar. Rumo ao lugar em que seu corpo perder a sustentação e cair ? Indo em direção ao conhecido desconhecido. Ao esquecido conhecido. Ao nunca antes conhecido em breve desconhecido novamente...
Homem moribundo. Flagelo da alma. Espelho de um mundo mudo.
Comentários
Enviar um comentário