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A mostrar mensagens de janeiro, 2011

Pra quem cansa.

Meu pé pisa o barro seco da estrada. Pedrinhas embaixo dele gritam por suas vidas. Meu pé é impiedoso. Pouca coisa o fez parar até hoje. Por algum motivo eu prefiro meu pé direito ao esquerdo. Esse é um baú que nunca abri. Também, nunca me fez sentido descobrir o porque. Mas, ao mesmo tempo, se hoje escrevo essas palavras deveria ter talvez prestado mais atenção a mim mesmo. Me cansei de mim. Me cansei de acordar comigo. Me cansei de ver com meus olhos e ouvir com meus ouvidos. Minha voz então. Minha voz me irrita profundamente. Meu silêncio me traz os pensamentos que não quero ter. Meus dias terminam em noites que me deixam triste e que por sua vez terminam em dias sem muito sentido. É, meu pé favorito pisa sobre as pedras que clamam piedade. Mas sem piedade suas pisadas continentais são dadas. Talvez com algum pesar. Um mínimo pesar, franzino e pálido. Pois é.

Palavra.

Se falar te causa nausea. Cala. Pra palavra parece nao haver prece. Nao haver calma. Pois como flecha, se esgueira a morte. Sempre na sorte.

Descreva pra mim sua latitude, que eu tento te achar no mapa mundi.

É sobre a gentileza, sobre quem somos além do que os olhos podem ver. Sobre isso entre outras coisas. Que eu nem sei exatamente quais são. Nem sei se quero saber. Nem sei se há o que saber. Porque no final desse texto eu vou te perguntar: o que será do nosso amor ? É.

Enquanto girava o carrossel

Lua pro meu céu. Digo sim, pra não ficar assim. Enquanto girava o carrossel. Doce mel que mata. O que resta as linhas tortas. Em rimas assassinas, que mal denotam o fim. Como as cartas escritas. Sempre tão belas poesias. Perfilando o mundo em dias. Se escondendo. Fugindo mudo. Aos berros para surdos. Que paralizados a observam. Enquanto girava o carrossel...

Sem título.

Minha língua está acorrentada. Os grilhões de ferro saem de baixo dos meus dentes molares, presos a carne da gengiva. Passam por cima de toda ela em seu sentido vertical até o outro lado do maxilar. Se fixando novamente na carne... São várias correntes segurando-a na parte inferior da minha cavidade oral. Dói. Incomoda. Mas não há o que fazer. As vezes eu acordo durante a noite e ouço minha língua reclamar. Ela se move como é possível, se arrastando a carne dentro da minha boca. Se esfregando aos dentes e movendo a ponta bem suavemente para frente e para trás. Eu a espero se acalmar. E adormeço ouvindo minha língua chorar sua desgraça. Ninguém deveria chorar sua desgraça. Mais do que isso, ninguém deveria chorar a desgraça alheia. Se ser infeliz é o que desejas, vá. Não me peça para te acompanhar. Muito menos tente me obrigar. Ninguém deveria ser dragado as correntes das tristezas alheias. Maldita seja a culpa. Num mundo de fantasia, eu ouvi um cavaleiro dizer que "nada supera a h...

Irreversível.

Todo mundo muda. Tudo no mundo muda. Tempo molhado e bocas mudas. Timbres imperceptíveis da malevolência alheia. Tapas a face do rosto que ama. Tem também o silêncio... Tênue e draconico silêncio.

Eu tinha um treco pra dizer...

Uma estrada mal iluminada com poucos carros sobre ela. Enquanto a noite se sustenta em um piano débil que titubeia tilintares suaves. As curvas reservam surpresas que somente o tempo pode mostrar. Como as lágrimas do choro de quem perdeu o que queria. Ou o sorriso da alegria explosiva do amor carnal consolidado. Passam pelas minhas janelas, um milhão de zumbis que ficaram para trás. Me parece que na estrada da vida, alguém sempre precisa ficar para trás. Sim. É como ter um carro, ou um onibus. Não importa, simplesmente não vai caber todo mundo... Alguém fica de fora, assistindo o desfecho do filme. Ou a curva engolir a luz para simplesmente desaparecer e nunca mais existir. Nunca jamais será como já foi antes. Eu sei. Mas o garoto de 15 anos que mora dentro da minha cabeça convenceu o comandante do barco de que vale a pena tentar. Alguém me pergunta do que vale viver 20 anos de alegrias para passar 70 anos esperando pela morte ? Não vale nem a resposta. Vale sim, você devia ouvir mais ...

(Sem título)

Como a grama que cresce no meio das pedras da cidade, aumenta a vontade. Subindo as paredes dos prédios por entre os tijolos, janelas e rachaduras. Dividindo o que era, do que vai ser... Rasgando a cortina que separa os mundos, todos eles. O mato que nasce, enrola nossos pés e sobe pelas pernas dos que o aceitam. Nada pode parecer o que não é, a não ser que em parte seja. Filosofia de banheiro e o mundo continua a girar. Porque amanhã o sol nascerá. E nada vai parar a Máquina de Guerra do Sol nascente no Mundo das Cortinas. Só mesmo a Yoshimi pra me salvar. Eu sou faixa branca em Karate ! Ela é faixa preta. Mesmo num mundo onde cachorros não voam e sorvetes não falam. Eu me esforço pra ver o invisível dos meus olhos. Na sombra da luz que a lampada deixou marcada na parede ao cheiro da cachoeira que molhou minha camisa verde. E quando ando descalço pelo gramado, tento desviar dos pequeninos que lá habitam. Com suas pequenas casas e construções. Gritando ao que passam para que sejam meno...

Me disse Sylvia Plath:

Axes After whose stroke the wood rings, And the echoes! Echoes traveling Off from the center like horses. The sap Wells like tears, like the Water striving To re-establish its mirror Over the rock That drops and turns, A white skull, Eaten by weedy greens. Years later I Encounter them on the road Words dry and riderless, The indefatigable hoof-taps. While From the bottom of the pool, fixed stars Govern a life.

Olá 2011 :)

Se é pra ser novo que novo seja. Claro, é sempre bom recomeçar. Sentar com uma folha em branco na frente e desenhar o que você quiser é melhor que retocar a obra dos outros. Um 2011 tão especial que 2010 fique com inveja e resolva voltar em 2012 - que no caso jamais existirá :) Assim um dia voltaremos a 1982 e eu vou poder me ver nascendo. No sense sem graça e fora de contexto. Do jeito que eu gosto. FUCK! Yeah ;) Nos vemos por aqui.