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A mostrar mensagens de agosto, 2010

Fernando Pessoa.

Nesta vida, em que sou meu sono, Não sou meu dono, Quem sou é quem me ignoro e vive Através desta névoa que sou eu Todas as vidas que eu outrora tive, Numa só vida. Mar sou; baixo marulho ao alto rujo, Mas minha cor vem do meu alto céu, E só me encontro quando de mim fujo.

Assista: http://www.youtube.com/watch?v=RCNbbGwAguA

"Quem vê, não acha que ele pode ! Mas ele sempre tenta e vai atrás... Negando seu troféu de maior idiota do mundo ! " Não é nada de novo, mas é bom : ) Bom, pelo menos que acho bom ! Acho do caralho, tipo take de olho de peixe bem enquadrado, bem iluminado, num steady bem equilibrado, com um ator que atua bem, num roteiro bem escrito, Corta. Existem algumas coisas que não podem ser dissecadas. Se você as explicar, elas perdem a magia e caem por terra. É como se o sentido estivesse no mistério. Se o mistério for perdido, a magia foge para o Mundo da Magia Fugitiva. Outro dia uma amiga me disse que meu blog parecia um diário. Quase a mandei tomar no cú. Só se fosse um diário de um leprechaun divorciado que jamais voltou de uma viagem ruim de ácido. Mas eu n disse nada, só sorri de volta. Não valia a pena corrigir. Sabe quando não vale a pena corrigir ou explicar ? Como se pelo fato de eu ter explicado, a magia seria quebrada. O murro da cara ainda tem magia. E tudo que eu posso...

Só um pouco mais de Sigur Rós.

O café amargo, é mais amargo do que realmente é. Café preto, desses sem cigarros. Sem nada para adoçá-lo. Sem xícaras lado a lado. Esse café é solitário. Sobre a mesa da cozinha, não há torradas, frutas ou esperança. O café solitário é servido puro, forte e desacompanhado. A manhã vem como um chamado. O sol, chama que queima despreocupado. Meu nariz quase sempre frio, do inverno passado. Sem chocolates ou sorrisos. Só o café solitário... Passa pela janela do apartamento um cavalo alado. Asas brancas em slow motion bem renderizado. Seus olhos negros brilham contra o vidro, da janela ao meu lado. Lá fora o mundo parece um lugar distante. Avesso ao que é dado, eu rejeito futuro e passado. Pois do que serve a previsão da árvore, quando sempre lhe dão o machado ? Viver é algo que faço calado.

Canetas não escrevem o que eu quero dizer.

Dá pra tentar falar, mas a voz vai se recusar a sair. Como se todas as letras de cada palavra reverberacem através da garganta e se chocassem por maestria do destino. Por pouco não sairiam. Ficariamos com aquela cara de tansos que fazemos quando caimos no chão. Quando achamos que algo é de um jeito, mas é de outro. Como quando tropessamos numa pedra ou escorregamos numa poça de lágrimas. Não é um tombo memorável, é só um deslize. As vezes, ninguém percebe. As vezes teu sobrinho te filma e manda a mini-dv pro Faustão passar em rede estúpida nacional. De um jeito ou de outro, é essa a expressão do rosto. Como de quem achava que ia, mas acabou não dando pé... Você engasga e alguém do seu lado pergunta se está tudo bem. Você diz que sim só com a cabeça... Que é pra não parecer estranho demais. Dá pra tentar escrever, mas seus dedos vão formar um nó de marinheiro em cada mão. No melhor estilo Guilhermo Del Toro. Como se os ossos de cada um deles se dissolvesse no mundo da alegria e só sobra...

Epitáfio.

Aqui jaz a solidão do solitário. A tristeza do improvável. A agonia do sem destino. E o medo do que teme. Em vida, nada fez, além de mais um ser que foi. Existiu como todos os tantos que existem para somente morrer depois. Igual ao antigo, igual ao igual. Comum como tudo que há de similar e formatado. Mas ainda assim, foi o único a viver seus dias. O único a viver seus amores. O único a viver suas mentiras. E o único a sentir suas dores.

Meu coração e o vento.

Um sopra o outro uiva. http://www.youtube.com/watch?v=RCNbbGwAguA

Amargo.

Ao olvidar os dias, cicatrizo a cortina e me acalento. Ditos próximos e intímos se evaporam agilmente em um momento. Resta o amargo da lembrança e a triste esperança... De que dor e pesar que comigo carrego. Fujam para a névoa do jamais recorrer. O mais intangivel dos pesos que tenho, é o medo. Não por incomensurável tamanho. Mas por as vezes ser um menino desatento, e noutras um copioso ser truculento. E lutam por minha atenção os sabores que me permeiam. Numa valsa mórbida além do tempo. Como se o viver fosse sempre embora. Passam os dias, estações, lágrimas e as horas. Só não passa o passar. O escorrer das areias. O morrer do viver. E o nunca mais voltar ! Pois existir é eternamente morrer por se apaixonar.

Segura na mão de Deus e vai.

Diz a lenda, que existe um grande Rio entre o mundo dos vivos e o mundo dos não vivos. Dizem também que o Rio foi feito com o dedo indicador de Deus, abrindo uma vala e a preenchendo com as lágrimas da humanidade. Mas Deus sabia que nem todas lágrimas eram verdadeiras, que por trás de algumas existiam pensamentos avesos a tristeza. Pois que as misturou sem titubear, dizendo a si mesmo: "- Cada qual verá somente lágrimas semelhantes as que derramou..." Quando visto da margem dos vivos o Rio é revolto e cheio de pedras ponteagudas. Nem nas margens ele se acalma, arrasta pequenos animais que ficam para trás. E nem a grama alí cresce... deixando a terra vermelha aberta. Como uma ferida molhada. O som da água lembra, as vezes, trovões de verão. Pois o Rio enche piscinas represadas por grandes pedras e quando estas transbordam, a violência da água é implacável. Quando visto da margem dos não vivos, o Rio é calmo e limpo. A água é transparente e corre suavemente rumo as curvas do de...

http://www.youtube.com/watch?v=ttum1g_-5PM

Lobos, lobos, corram os lobos chegaram ! Gente pra todo lado, sombras correm nas florestas. Som de portas se trancando, janelas batendo e gritos de nomes: "- Manwë !!! Maaaanwë !" "- Ramha ! RAAAAAAMHAAA !" E os guerreiros tiram suas espadas e machados das bainhas e erguem suas tochas. O longo som da trombeta vindo da torre acusa que algo foi avistado. São dois silvos. Mais gritos e mais gente correndo. As ruas de barro e grama pisada estão praticamente vazias. Os cavalos foram presos nos estábulos, mas um deles passa com a sela solta. Trotando sozinho na escuridão com os olhos arregalados, sentindo a presença deles. Turin o ilumina com a tocha e aperta sua mão direita ao cabo da espada. O animal relincha mas não para... O guerreiro sabe que seu dono não teve tempo de prende-lo, provavelmente percebeu alguma movimentação suspeita próxima a sua casa e preferiu não arriscar. O cavalo está agora sozinho e provavelmente não verá o próximo sol nascer. Turin nasceu nessa...

( ; ; )

Não se faz poesia sóbrio. Pensando em cálculos ou angulos. Poesia é como espirro desavisado. É susto de pulo e grito. Chega sem por favor ou com licença. Entra de assalto e te rouba a vida presa entre os dentes. Vento que leva a areia da mão. Dito que perturba a direção. Noite que escurece sem permissão. Não se escreve poesia de alma limpa. De alma lapidada. Poesia é resultado de rachaduras, sorrisos e lágrimas. Como água antes represada. Ou luz acesa de repente. Que agrada uns e acorda outros. Não se faz poesia de mãos dadas. Poesia é paixão viva, dolorida. Não carinho de tia. Ou "olá" de vizinha. Poesia é tapa forte na cara. É a vergonha do tapa. Poesia é o amor e o ódio do nada. Sem indiferença ao cadáver no chão. Poesia é o vento, o barco e a direção.

Todas as vozes fora da minha cabeça.

Título rebuscado. Violão folk, frio e chuva. Dia corrido no reino das cadeiras com rodinhas e muita gente querendo ouvir um: "alô !" Não reclamo, na verdade eu gosto ! Aplausos, sites e botões pressionados ! Será que se algum grande poeta clássico escreveria sobre os botões que temos para apertar todo dia, se fosse vivo ? Sim, porque a gente aperta botão pra caralho, já percebeu ? Do elevador, ao código do prédio, no carro, no celular e no caixa eletronico, no computador trabalhando então ? Pufff... Na academia, do código da catraca até a esteira e se você resolver conversar pela internet então... Pronto ! Você já apertou botões demais... Conversar pela internet ? Não né ? Linguagem escrita é bem diferente da falada ! Claro, tem gente que só toma coragem de dizer as coisas pela internet ! E da-lhe email, msn e os malditos sites de "relacionamento". Que relacionamento ? Ok a idéia era boa, mas se perdeu... Como tantas, por exemplo essa minha. Desisto. Minha idéia tam...