Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2009

"Bem vindo a America..." - Stratopumas.

Sonho acordado, é verdade. Eu me vejo mal desenhado em um pedaço de papel velho. Me cortam a face pra mostrar a verdade. E prefiro os desenhos do que as palavras. Eu minto para os meus pés. "- Não aguentamos mais" - eles suplicam. "- Só mais um passo... E nada mais" - respondo rindo. E o caminho não para de girar, feito escada rolante. Não sinto hoje a dor que me abraça amanhã. Dor e tempo são difíceis de medir. Ninguém lembra direito de mim, eu prefiro assim. Vulto pra foto, mais uma lembrança e palavra perdida na frase. Me guardo aqui. Longe de qualquer mão, pé cansado ou olho azul. Invisível ao importar. Sem semblante pra expor. Nada é igual ali. Mas de novo, prefiro assim. Sem mais aos outros. O tudo mais de mim.

Disse Fernando Pessoa:

Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas.

As infindáveis aventuras de Simon e seu unicórnio negro albino.

Se as nuvens fossem feitas de algodão doce as abelhas fariam suas colmeias sobre elas. Existiriam nuvens cor de rosa, azul claro e bege. E os aviões bateriam nelas enquanto sobrevoam o céu, fazem o algodão cair sobre nossas cabeças. Se o gramado falasse, eles seriam multidões nas praças, campos e canteiros. Ninguém estaria sozinho, ou seria obrigado a fingir que gosta dos amigos que na verdade nem conhece direito. Não. O gramado sempre estaria lá, cheio de opiniões e esclarecimentos sobre as nossas vidas. Se os prédios pudessem se mover, nós sempre teríamos vizinhos novos e nunca saberíamos aonde nossas casas "estão agora". "- Alo ? Leandro ?" "- Oi cara, fala ! Tudo bem ?" "- Aaaah sim ! Acho que teu prédio tá parado aqui na minha rua..." "- Bá que legal ! A gente se fala depois então... : )" Seria bom. Se o cães pudessem tivessem asas eles seriam muito mais divertidos. Dá pra imaginar os bandos voando e brincando no céu. Tá certo que ...

Eu e os dias que perdi.

Alguém me disse que a vida adulta não te deixa muitas opções. Concordo, por mais livre que sejamos. A liberdade que vivemos é algo bem pouco verdadeiro. E eu já disse antes: eu gosto do que é de verdade. Do cheiro daquela pele que não sei o nome, mas que fica entre o lábio superior e as narinas. Das bochechas vermelhas de vergonha ou prazer. Do sorriso feliz que vem sem poder ser controlado. E do carinho público. (texto não terminado)

No escuro.

Onde ninguém vê o visível. E o invisível segue nú entrando nos corpos sem pudor. Perto do segredo escuro guardado no fundo do poço de inigualável odor. Ao lado do mistério do amor que a mentira adora violar. Regado com carinho verdadeiro que ninguém consegue negar. Longe dos tantos pés, mãos, corpos e lábios entrelaçados que constroem a torre do prazer. Com a luz acesa mas longe do claro e iluminado ver. Pra onde correm os ratos que fazemos questão de esconder. Abaixo do que chamamos de tudo mesmo sem quase nada entender. Interrompido somente pela morte dos vivos, que insiste em se suceder. Escuro pra caralho.

Mudar.

Alterar.

Amor e traição - Cruz e Sousa

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, Ó ser humilde entre os humildes seres. Embriagado, tonto dos prazeres, O mundo para ti foi negro e duro. Atravessaste no silêncio escuro A vida presa a trágicos deveres E chegaste ao saber de altos saberes Tornando-te mais simples e mais puro. Ninguém te viu o sentimento inquieto, Magoado, oculto e aterrador, secreto, Que o coração te apunhalou no mundo. Mas eu, que sempre te segui os passos, Sei que cruz infernal prendeu-te os braços, E o teu suspiro como foi profundo!

Com(texto)

Minha cidade é bonita. É serio ! É um bom lugar para viver. As pessoas criam raízes aqui... Vem de longe às vezes, trazendo suas famílias. Procurando o "algo melhor" que todo e qualquer ser humano sem doenças mentais, deseja.  Temos orgulho de viver aqui. De fazermos parte do que é ser desse lugar. Muitos de nós ajudaram a reconstruir a cidade depois dos vários incidentes naturais que se passaram. Resistimos as enchentes, a doenças, a crises políticas e fomos adiante. Evoluímos muito nos últimos anos. A Oktoberfest mudou seu público e volta pouco a pouco a ter aquele ar bonito, quase lúdico. As reuniões de grupos de amigos que acontecem semanalmente também não deixam por merecer. As coisas vão bem, de fato... Em vários sentidos. Pois bem, hoje eu voltava do banco até meu carro que estava estacionado em uma das principais ruas do centro, a Rua XV de Novembro, quando vi algo que me incomodou. A rua XV foi revitalizada e não são todos os que lembram como ela era antes. Tinha par...

E de sorrir (pra não chorar).

Se passou por aqui,  só o perfume senti. Parado vi o carnaval passar. Sobraram os confetes e  as risadas. Sempre sobram.  Ou choram. E de passo em passo carregando o peso. Descubro escrito o que sempre esqueço: O fim do mundo é o  recomeço.

Censurado

Morro, se corro. Se fico, choro em coro. E algo mudou ? Lágrimas me fogem dos olhos à correr. A vida me escorre dos dias à morrer. Deposito aos jarros meu amar. Conservado no pensar. Mas não como coisa largada ao deixar. Nem as teias do passar. Deixo perto das fotos que vivi, para alguém além de mim. Que carregue aos bolsos o sorrir. E nos lábios do existir tenha a força pra ver. A palavra a dizer. A gentileza do carinho ao caminho do merecer. E o suave esquecer. Que me rende o rompante,  no peito guardado. Me força a ficar parado. Gritando aos pulmões,  ainda que calado. O título censurado.

Simples até demais.

Ele se matou durante o inverno. Sumiu sob o álibi de pegar um casaco, disse estar com frio. Todos estavam, todos acreditaram. Tomou todo o pote de anti-depressivos. Não conseguia engolir remédios grandes, nunca conseguiu. "- Mas se eu engasgar morro do mesmo jeito..." - pensou com tom ironico. Esperou pacientemente sem saber o que pensar. Pensou sobre o que as pessoas pensam quando se matam. Não conseguiu ficar feliz, mas também não se arrependeu. Pensou ter certeza. Se sentiu tonto e com os dois braços dormentes. Abriu a porta do banheiro quando percebeu que não poderia voltar atrás. "- Assim ninguém precisará arromba-la quando sentirem minha falta..." - foi prático. Ninguém sentiu sua falta. Morreu, assim.

Caro amigo...

Corra sempre que possível. O horizonte nem é tão longe assim e teus pés dão conta de te levar até lá. Não se confunda, a amizade é uma das coisas mais bonitas que existem sobre a face do planeta... Mas é natural que todo ser humano queira a companhia dos seus. Assim, na ânsia de não estar só ele pode tropeçar. Blinde seu coração. Mas não de forma dura e insensível. Aprenda que seu coração vai se machucar e que é preciso continuar mesmo não conseguindo. Entenda a vida além dos seu corpo. O mundo é um lugar incrível, basta que você se permita enxerga-lo. Toque um instrumento ou pinte um quadro ou faça ginástica na praça ao lado de desconhecidos. Pessoas desconhecidas lhe impressionarão se tiverem uma chance real. Fale e silencie com a mesma frequência. Saber ouvir e responder educadamente as perguntas que lhe são feitas são as chaves para qualquer porta que encontrares. Tire fotos suas e de sua família. Com o tempo essas lembranças se tornarão muito mais valiosas que as jóias de sua tata...

Sopra essa flauta porra !

Som agudo estridente ! Daqueles que fazem as mãos colarem nas orelhas. Te fecha os olhos, mas não completamente... Cerra só até aonde é preciso pra suportar. Em estado de alerta. Mas não te engana com a metáfora, porque não precisa ser si de flauta. Pode ser risada, acorde de guitarra ou batida de carro. É uma porrada ! Vem do nada e desaparece. Pois para mim: Me joga pedras. Fecha as portas. Fica atrás das cortinas,  eu sei que gostas. Tu sobe o muro e conta piadas. Eu fico no chão e ouso as risadas. É feito navalha com pouco fio. Um dia longo demais pra terminar. Arde os músculos só de lembrar. E a noite a dentro ouve-se o choro. Engana o padre, o médico e o touro. É a verdade perseguindo a vida. Corre estradas e dobra esquinas. Uma hora cansas de correr e paras. Me dá tuas mentiras. Te ofereço meus murros as tuas caras.

Me diz só uma coisa.

Entre tudo que você é. Existe algo que não pode ser dividido ? Existe algo que caso você perca, deixa junto parte da sua essência ?  O ser humano tem a chata mania de se considerar indivisível. É verdade. Consideramos nossa vida algo inquebrável. Já partimos do ponto da cultura ocidental recusar o pós vida. Aqui, ninguém gosta de sentar pra conversar sobre o espírito e suas mazelas. A gente quer falar de maquiagem, de cinema, de coisas que queremos comprar e vender e como é legal ser legal. Ninguém que falar sobre morte.  Eu até entendo. Até. Dentro de um ciclo curto é complicado inserir o assunto. Te imagina falando com alguém que você conheceu a pouco tempo: "- E me diz,  como tu achas que vais morrer ?" A pessoa vai ficar no mínimo constrangida. Uma mente criativa pode pensar que estás querendo ajuda-la na tarefa... Não é o caminho. Mas acho engraçado (em parte ao menos) as pessoas quererem esconder o medo da morte pra si. É estranho até quando temos medo de morrer e vergo...