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E vem um imbecil me falar sobre as imbecilidades do mundo.

Normalmente, quem se acha correto em algo não aceita novas opiniões. E é sem perceber, muitas vezes, que acaba se tornando tão errado quanto quem realmente está errado. Porque estar certo não é um ponto definitivo. Na realidade, estar certo é quase mais fugaz que estar errado. O errado pode se converter pra certo com relativa facilidade. Ele aprende. O certo fica ancorado ao ego. Se balançando como um carrapato pendurado no escroto de um touro reprodutor. Orgulhoso por ter todo aquele sangue da vitória vencida. Mal sabe o imbecil, que vencer alguma coisa é só um pedaço da fatia do bolo. E que pouquíssimos de nós vão comer o bolo inteiro. Então, enfia essa porra de fatia de bolo no bolso (isso mesmo, no bolso... bem melecado mesmo, com morangos caindo no chão e creme melecando nojentamente tuas mãos...) e continua a caminhar. Admite que estar certo é uma possibilidade e não uma obrigação. Ouve escutando o que te dizem e te lembra que o belo do mundo ainda está pra nascer. Pouca coisa é ...

Os dias futuros e meus pés tortos.

Espirrei um momento. Desses que não se pode planear. Que ninguém espera ter. Foi só uma gota de chuva, no vento. Como uma foto em movimento. Em um domingo de sol lento. Onde lembranças oscilavam. E nem pude ver se aproximar. Tão apressurado. Impossível de represar. Me saltou afora da alma. Feito paixão apartada. Sem anúncio de adeus. Lágrima de mágoa. Ou pesar regurgitado. Momento maldito que saiu de mim. Pairou por dois instantes. Rodopiou e desapareceu. Sem depois ou antes. Tive que ser valente. Fantasiado de grande. Ouvi tudo que foi dito. E caminhei pra longe sozinho. Asseando minhas narinas. De novo.

Guilhermina e seus sete namorados. (Subtítulo moral: Eu gosto é do gosto.)

Guilhermina tinha vários namorados. Gostava de aspectos diferentes de cada um deles. Tinha um para as noites de solidão. Outro para pagar seus jantares e festas menores. Um para os presentes mais caros e viagens longas. Tinha o que sabia como lhe ouvir e dos carinhos que ela gostava. O intelectual que ajudava nos esclarecimentos. O que a fazia se sentir uma mulher bonita e que fazia amor como se fosse a última vez. E finalmente, tinha aquele por qual ela era apaixonada. Desde pequena, Guilhermina sempre foi precoce. Beijava meninos escondida no primeiros anos de colégio. As vezes, até os forçava a beija-la. Continuou os beijando através dos anos, eventualmente beijava uma menina. Mas só para se sentir ousada na frente das outras pessoas. Fazia questão de não conter sua sexualidade em público. Isso desafiava os outros. A colocava em uma posição de excêntrica moderninha. E ela gostava disso. Adorava se sentir diferente das outras meninas de sua idade. Com o passar dos anos, suas relações...

Nada esconde a falta de gentileza.

Uma flauta transversal me acorda. É sábado de manhã. Tem cheiro de café forte vindo da cozinha. E o sol alcançou meus pés. Parece um sonho, e talvez seja, mas eu prefiro ficar aqui que acordar no mundo deles. Um abraço e o mundo gira tão rápido que eu nem consigo ver o tempo passar. O manto da noite se estende. Desdobrado sobre todos nós. Eu tenho bom gosto, mas não vá lamber minhas axilas atrás do sabor de morangos. Porque não é o que você vai encontrar. O corpo humano fede. A boca tem mais bactérias que teu intestino. Ainda assim, adoramos nos beijar. Minha vida toda em 3 fotos. Meu RG não é quem eu sou. O cara do RG é outro. Um tal de Macauli Cauquin. Esquecido em casa pelos pais em uma noite de Natal. Supimpa ! O som da chuva me faz dormir. A tua voz me faz acordar. Meu cachorro lambe meu cotovelo. O sol e a lua me visitam. A adega cospe uma garrafa de vinho que o anão taverneiro abre com o olho. "PLOP" faz a rolha ao saltar. Eu adormeço todo dia. Para nunca mais acordar....

Hoje é dia do amigo ?

Deixa eu pensar em algo bonito pra dizer: foda-se.

Canção de ninar para leitões.

Textos substanciais me confundem. Eu perco a linha e perambulo por esse labirinto tateando as paredes. Curvando meu tronco pra ver o chão. Tentando ouvir a brisa que me levaria pra fora daqui. É fácil tropeçar no limo. Pisar em insetos gosmentos. Bem de longe eu ouço um bumbo marcando o tempo. Como um barco de escravos vikings com um contra mestre que ordena o ritmo das remadas. Ele comanda meus passos. "- Seria esse som, o coração do labirinto ?" - devaneio em silêncio. Minha mente me engana. E textos substanciais me confundem. As paredes estão cheios deles. Escrita em elfo, anão, orc e algo mais. Todas palavras substanciais de quem passou por aqui. Antes de mim. Eu deveria escrever algo também. Acho um pedacinho de pedra ainda lisa. Bem no alto do corredor. Me ponho na ponta dos pés. Apoio a mão esquerda na parede úmida. Seguro minha faca como uma caneta. E escrevo: "Textos substanciais me confundem..." Um dia, um coral vai contar essa história. Vozes ao vento. E ...

O enigma do Command+Z

O presente é o passado do futuro que não aconteceu. Guarda o que tens. Tua alma, amor ou dinheiro. Salva do mundo, o que for. Estou cansado de me perder. De ir sem sair. Quero ser sem ter. Ouvir sem falar. Pular sem cair. Flutuar sem voar. E escrever, sem rimar.