V1D4 L0K4?
A cidade passa rápido, soldando prédios, placas, paredes, lombadas, casas e os poucos carros que ainda estão na rua, em um único e gigantesco objeto disforme. Dentro do capacete, é quente e úmido. A espuma rasgada do forro já pegou chuva, água de poças, sangue de quedas, poeira e muito suor. A viseira é turva como o vidro de uma janela que quase nunca é limpa. "- A viseira é a janela por onde vejo meu mundo..." - ele pensa brevemente enquanto torce o acelerador da 125 cilindradas ouvindo o motor se esgoelar. O vento balança sua roupa, desviando dos buracos no asfalto com a precisão de um artesão que costura com agulha e linha. Ele não erra nenhum ponto... Também pudera, já errou muitos. Essa é terceira moto. As duas primeiras foram vendidas peça por peça pela família, enquanto ele repousava em uma cama com pinos segurando os ossos no lugar. Venderam pra comprar comida, pagar conta de luz e água. "- Placas e parafusos dentro da minha pele..." - el...