Belchior e eu.
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro. Belchior desliza dos meus fones direto para o meu cérebro. Escorre o veneno da boca desse bicho peçonhento que me observa. Meus olhos vermelhos soltam fumaça ao invés de lágrimas. Brilha o céu, é noite, mas o sol resolveu aparecer. Confusão mental e eu me sinto dentro de um sonho. Meus longos diálogos foram substituídos por um silêncio gordo e estático. Não, eu não vou deixar que vocês deem um troféu ao meu algoz. Nenhuma liberdade pode ser presa por barras de ferro ou tijolos de pedra. Ouço o vento chegar. Que saudade frio, por onde tu andavas? Meu corpo é deslocado a 20 metros de altura e arremessado ao infinito depois disso... O planeta terra é gigante. Mas diminui muito. Fica do tamanho de uma quilica. Distante e solitário. Penso: ainda dá pra voltar... Tá todo mundo lá. Giro e desviro girando e desvirando. Perco tudo que conheço de vista. Porque eu ainda estou vivo? Já era pra eu ter morrido. Passo por um jovem garoto, 8 ano...