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A mostrar mensagens de fevereiro, 2019

O muro.

Existe algo a respeito do muro. E não é a sua altura. É o silêncio daqueles que planejam derruba-lo. E não se engane nobre transeunte: hão de derruba-lo em breve. Não existe muro que resista para sempre. Nenhum deles se mantém de pé. Na verdade, a verdadeira função do muro não é delimitar a passagem. Não. A real função do muro é cair. Tijolo após tijolo, empilhados e acimentados. Perfilados em colunas verticais niveladas. Equilibradas com maestria. Seguindo os relevos do solo. E se estendendo por longas distâncias. Feitos como cicatrizes na pele da terra. Lembrando a quem vem que não só a passagem é proibida, mas a visão também. E nas sombras projetadas pelos muros, sentados no ponto em que a pedra empilhada se encontra com o chão, existimos confabulando sobre quais tijolos quebrar primeiro. Sobre por onde começar... E não nos confunda com aqueles que pretendem pular os muros para roubar a posse alheia. Assim que essa parede estiver no chão, nós começaremos a discutir qual deve ser a...

Divisão de mundo paralelos e suas histórias fantásticas.

A primeira vez que ele ia na casa de uma namorada, conhecer seus pais. Quando chegou lá, tava de boa. Mas não demorou muito pra sentir uma pontada na barriga, que evolui rapidamente para um clara identificação de gases. Até conseguir liberar um par deles, mas logo sentiu que a Fantástica Fábrica de Chocolates tinha iniciado a produção e precisava entregar a produção. Estava sentado na mesa com os pais dela, conversando sobre a cor do céu e essas bobagens. Quando perguntou onde era o banheiro, nos olhares ficou subentendido que era um xixi rap10. Lhe indicaram o lavabo ao lado da sala de jantar. Entrou no furacão do funk, soltando o baixo pela porta dos fundos. Desceu a calça na velocidade do The Flash e a cascata da lama foi liberada. Evacuação nível Shrek com direito a notas de Chuck o Boneco Assassino. O alívio foi tão grande que ligou o foda-se para o som da Orquestra Filarmônica do seu rabo. Serviço feito, aqueles 10 segundos pra se recuperar, papel higiênico. Suporte vazio. Abriu ...

Artigo infiel.

Murro na cara, preciso te dizer que eu venho te traindo. Longe de ti eu escrevi em outras páginas em branco. Escrevi com canetas de várias cores. Escrevi em paredes, em mesas e até na pele de algumas pessoas. É isso. Longe de ti, eu continuei escrevendo. E fui escrevendo, frase após frase, através de muros, árvores, do chão, paredes e testas de pessoas, até voltar ao meu teclado. E digitar essas palavras.é muito libertador. Te dizer isso, é me livrar da culpa e me aceitar, como alguém que escreve além de ti. Pensei em uma história em que uma pessoa saía de casa todo dia e ao se deparar com o porteiro do prédio, dizia: " - Dia quente não?" " - Sim sr. Dia quente..." - respondia o porteiro. Um dia depois, na mesma situação: " - Chovendo cedo.... que saco!" " - Sim sr. Chuva de manhã cedo é complicado." - respondia o porteiro. Alguns meses depois: " - Tempinho nublado, vai ser um dia feio..." " - Verdade sr, o tempo está fechado......