Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2018

Conversas fulanas nº742

Chega pra cá. Pode vir. Está tudo bem. Deixa pra lá tudo isso aí que te dá um nó na garganta. Segura essa taça, dá um gole, senta aqui. Deixa eu te ouvir falar sobre a vida. Isso vai passar, tudo vai passar, se não passar agora passa depois. Mas passa. Deixa que o canto saia ruim, só abre teu coração. A gente se conhece a tanto tempo que nem me lembro de como era antes de ti. Pode confiar nos meus ouvidos. Eles são simples, mas sabem guardar bem a nossa perturbação. O mundo não é essa masmorra, tu sabes também. O inferno são os outros, lembra de Sartre? Sim haha, isso mesmo. Lembra quando começamos a escrever? Só conseguíamos escrever direito no intervalo do nascer ou do por do sol... A gente passava o dia com um olho naquele caderno de capa preta. Quase que atormentados, lembra? Aí quando dava o final da tarde, a gente corria para a varanda e deitava de costas no chão, olhando para o céu. E deixava as mãos dançarem sobre o papel. A gente descobria um monte de coisa escrevendo. Escreví...

O Brasil em eleição (2018).

Como eu quero começar esse texto? Depois de escrever umas 8 frases diferentes e apagar eu chego a conclusão que a forma mais honesta é assumir que não sei como começa-lo. Hoje é dia 16 de outubro de 2018. E o segundo turno das eleições no Brasil nos deixaram com as opções de Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, anular ou votar em branco.  É isso. Para poder falar sobre esse assunto eu preciso voltar a primeira vitória do Lula a presidência da república. Em outubro de 2002, eu assisti a camera do helicóptero filmando o carro que saia da garagem com então presidente eleito pela primeira vez, Lula. A camera o acompanhou por todo trajeto até o palanque armado para o discurso da vitória. E enquanto ele subia no palco, o Brasil fervia em sonhos. Borbulhávamos pela possibilidade de um futuro diferente. De uma nação soberana, com mais justiça, menos corrupção, menos tudo que éramos e mais tudo que nunca conseguimos ser de fato... Eis que o ex presidente Lula se aproxima do microfone e a popul...

O Rei morreu!

Todos eles estavam naquele grande salão que antecedia os aposentos reais. Era uma grande sala feita de tijolos de pedra. Com uma única janela que ia do chão até os 4 metros altura do teto. A sala, em outras épocas servia para que o Rei e a Rainha pudessem ter encontros urgentes sem serem importunados na sua intimidade. Havia uma porta de saída para a escada que levava até os acessos da sala de jantar, uma sala de reuniões privada, a sala do conselho real, o pátio com o jardim privado, uma biblioteca e os aposentos dos clérigos. E uma segunda porta que levava diretamente ao quarto íntimo do Rei e da Rainha. No quarto havia uma segunda antessala, bem menor que a anterior, e depois dela um grande passagem sem portas até a gigantesca cama com dossel, as penteadeiras, a grande varanda e armários. E é claro, a uma latrina reservada que era limpa  toda vez que a família real deixava o espaço. Todas as famílias de alta linhagem do reino estavam naquele grande salão. Todas as cadeiras, sofá...

Tudo que é preciso.

As dores da alma não encontram acalento nas coisas do mundo. Sentir a alma latejar, pode ser uma das piores sensações que uma criatura viva pode sentir. A alma, quando dói não abandona a dor facilmente. É diferente de bater um dedo do pé em uma paralelepípedo saltado da rua. A topada dói claro. Pode até sangrar, quebrar a unha e precisar de pontos em alguns casos. Mas a dor da alma é uma sensação latente que normalmente leva décadas para se entender. Alguns de nós recorrem a terapia, outros a remédios, tem aqueles que encontram conforto na gentileza das amizades e nas verdades das taças de vinho. Não vou julgar. Cada um lida com as suas questões como bem entender. Respeito é uma forma fácil de compreender o outro. Aquele que você não respeita, não é compreendido por ti. De qualquer forma, pensei numa solução para as minhas dores: escrever esses textos. Alguém me diz que escrever é destilar, é refinar os sentimentos. E pode ser verdade. Muitas vezes, meu dedos dançam no baile sobre o t...