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A mostrar mensagens de março, 2017

A tinta da velha vida.

Aquele velho preto  que pinta Usa o branco da tinta E esconde a raiva da lida Na mancha do pincel. Quando a noite preta da vida Amanhece amarela de um dia sem cor O velho preto escorre da cama Se limpa no azul  de uma agua suja. Se veste surrado de uma roupa nua. E caminha no  asfalto cinza Cercado de carros coloridos tão sem cor. Velho preto cansado  e manchado de branco A vida é arco iris  - ele diz - É casca de toda alma preta, branca ou multicolor.

No dia em que o Gregory morreu, eu escrevi:

Depois de encarar a tela em branco do BLOGGER por quase 20 minutos, eu decidi escrever sobre a falta de ideia de como começar a escrever o que quero. Ou seja, eu sou piegas até pra escrever. Uso a analogia da "desafiadora folha em branco", pra começar algo que não sei ao certo o que vai ser. Ligo essa do Sigur Rós  e deixo a música subir no volume mais alto que a minha vergonha permite. Do lado de fora da janela do meu escritório, o dia é cinza. Sem chuva, quente, com alguns pássaros voando e zigue-zague pela imensidão do céu. Pois é, eu acendi um cigarro e fiquei olhando pro céu. Pensando em como eu não devia dizer nada, de novo. Mas aquela vozinha escrota dentro da minha cabeça continua dizendo: "- Registra isso que estás sentindo. Um dia vais ler de novo. Faz isso." Lá vai: Hoje o cachorro da minha mãe, que era meu também, morreu. Ele era um Yorkshire e tinha 17 anos de idade. Faria 18 esse ano. Em outubro. Seu nome do canil era Gregory Von Frau Schneider. Q...

Enquanto isso no mundo mágico do meu imaginário.

Flutuam sobre o chorume da Caverna do Cranio algumas idéias leves o suficiente para não afundarem na escuridão pútrida do fosso do esquecimento. Algumas delas, até conseguem virar casulos presos a beirada da borda e depois de algum tempo eclodem em idéias voadoras. Cada qual com suas asas coloridas de forma diferente. Cada uma do seu jeito. Umas maiores, outras silenciosas. Algumas menores, outras barulhentas.  Ideias tem dessas. De nunca serem iguais umas as outras. Ideias são bichos estranhos, de cores diversas. Com formas, as vezes, tão excêntricas que o polvo negro que mora dentro do chorume da minha cabeça, decide que elas não podem voar. Quando essas eclodem dos casulos, ele até as deixa ficar por ali. Sentindo o cheiro do lodo e da merda. Mas se qualquer uma delas, abrir as asas ou fizer uma menção que seja sobre vir para o mundo real, ele estica seus tentáculos negros e as enrola e sufoca enquanto as puxa para o fundo do poço. Muitas dessas ideias nunca mais são vistas. O...