Um dia desses.
- Se a pilha do controle remoto acabar, a gente compra outra. - ela disse com um sorriso quase infantil nos olhos. É claro que a gente compra outra, o que mais a gente ia fazer? Construir uma usina elétrica pra fabricar as nossas próprias pilhas?! Ainda assim, eu não respondi. Existe algo de mágico no jeito em que ela me diz as coisas mais óbvias do mundo. É quase sórdida a forma como ela trata a realidade. Ainda assim, eu não consigo fazer nada além de sorrir de volta. No meu caso, com a boca. Meus olhos devem sorrir também, porque ela não liga e continua comendo pipoca no sofá. Não me importo com os grãos e "pelinhas" de milho por todos os lugares. De verdade que não. Mas esse cheiro me incomoda. De repente, os caras do Monty Python acertam uma piada boa. E a gargalhada dela é milho por toda sala. Uma "super camera" filmando em camera lenta faria disso um milhão de acessos no youtube fácil. A piada é boa e eu acabo rindo junto. Um pouco por causa da situação, mas...