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A mostrar mensagens de agosto, 2016

Pra ti lá em 2116.

Aqui quem fala é de 2016. E é 100 anos antes propositalmente. Porque se vocês aí em 2 11 6 estão mal, eu preciso que tu faças alguma coisa. Eu to soterrado por toneladas cúbicas de uma coletividade que tem certeza de que "é assim mesmo". Que o mundo não ficou louco. Que gente morrendo de fome e da raiva dos outros, é tudo bem. Desde que seja longe de mim. Desde que eu não os ouça gemer, ou os sinta cheirar. E enquanto a rua corre pra todo lado, parece que todo o resto tá completamente estacionado. Estacionamento de carro sabe? Tipo aç ú car em excesso no sangue. Só que barulhentos e burros. Perdendo toda paisagem, perdendo os passarinhos pra ouvir rádio. Perdendo tempo vivo. E comprando a maior miséria do planeta: a de ter nascido e morrido . Enquanto e nche m o espaço entre os dois com um "vivido" mirrado. Seco. Pobre de vida. E de sentido. E eu sei que alguém aqui vai achar que quando a cidade é grande não precisa de muito pra ter um carro blindado ou morrer. É...

A melancolia que eu imaginei para ti.

Se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, eu não faria nada diferente. Viveria meus dias, como se tudo fosse eterno. Do jeito que é na nossa mente. Não daria um tchau antecipado, ou mandaria beijos. Não abraçaria além do normal ou vocalizaria meus mais positivos desejos. Se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, eu me manteria igual. Quase incrédulo, até o final. Até o último instante. Só para ver aquela bola de fogo se aproximando, gigante. Ardendo a vida da terra, sem culpa ou pena. Como quem varre uma varanda empoeirada. Não pensando em como a vida é pequena. Na morte dos que se foram cedo. Na tristeza dos que te ofenderam. No café que ficou no bule quente. No pão de amanhã. E bem pouco no próprio presente. Se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, eu não contaria para ninguém. E quando minha esposa falasse sobre algum problema do trabalho, eu diria que tudo está bem. Que amanhã isso se resolve. Que o suspiro da vida que vivemos não vale o incomodo. Ela iria estranhar. ...

Leandro Gomes de Barros me disse sorrindo:

Se eu conversasse com Deus Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto Quando se chega pra cá? Que dívida é essa Que a gente tem que morrer pra pagar? Perguntaria também Como é que ele é feito Que não dorme, que não come E assim vive satisfeito. Por que é que ele não fez A gente do mesmo jeito? Por que existem uns felizes E outros que sofrem tanto? Nascemos do mesmo jeito, Vivemos no mesmo canto. Quem foi temperar o choro E acabou salgando o pranto? Isso aí Leandro, quem foi temperar o choro e acabou salgando o pranto!?