O frio, o café, a janela e a saudade.
Se não fosse por acaso, seria por destino. Eu penso que o acaso seja o destino que todo mundo tem. Todo mundo tem acaso. O acaso sempre vem. Sorrateiro, silencioso e imprevisível também. Enquanto eu escrevo na minha tela acesa, tento não olhar para as teclas do teclado. Sou de 1982, nós somos as crianças que fizeram curso de datilografia no colégio. Usamos os dedos mindinhos para digitar. Fomos aqueles que começaram a ter internet no celular. A gente via o mundo de outro jeito. Ou o mundo era mesmo mais devagar. Lembro de precisar pesquisar conteúdos nas bibliotecas. Eu não sabia, mas já me sentia em Hogwarts. Caminhando por entre os corredores gigantescos cheios de livros antigos e cheios de pó. Fui criança até muito tarde, ou talvez hoje elas sejam até muito cedo. A vida adulta demorou pra chegar, e eu nem a vi entrar. Era como ser criança para sempre. Ralar o joelho correndo livre. E dormir sem escovar os dentes. Era acreditar na lenda da loira do banheiro, nas histórias do vel...