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A mostrar mensagens de dezembro, 2015

Todo ciclo tem fim.

Ciclos sem fim são repetições. Todos os ciclos precisam de fim para se renovarem em novas coisas. E eu digo coisas porque preciso dizer. Queria mesmo era dizer pessoas, dias, jobs, sentimentos e comidas. Mas coisas engloba tudo isso e muito mais. Meu pé direito dormiu enquanto eu imaginava o que estou escrevendo agora. Agora ele formiga no sono dos pés que se imaginam pisando em campinas eternas de plástico bolha. Eu não sei o que os pés sonham quando sonham. Talvez nem sonhem. Talvez tenham pesadelos horríveis sobre ir a pedicures sinistras que os machucam enquanto dão risadas diabólicas. Eu não me sinto ficando para trás sendo eu mesmo. Só não consigo me imaginar sendo o que o mundo quer. Não faço por mal, é só porque se eu não for fiel a mim mesmo, não vou conseguir ser fiel com mais ninguém. E trocar toda essa minha idéia desenhada na minha cabeça por dinheiro, parece uma coisa muito imbecil para se fazer. Principalmente quando eu tiver 198 anos e estiver morrendo. Aí, de certo, qu...

Morre Ruan Bruno Gomes Nunes, 2 anos de idade. Vitima de uma bala perdida no Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro está em dezembro. É época de Natal, presentes e papai Noel. Pergunta pro Ruan o que ele quer ganhar. Ele não vai te responder. A bala que era perdida encontrou alguém. E foi ele. Bala é coisa fria, metal duro. Projétil. É como uma abelha cheia de raiva, voando pelo mundo. Pode ser que ninguém a encontre ou pode ser que seja diferente. O pessoal da UPP, da unidade de policia pacificadora, não pacificou. Ou sei lá, pacificou demais. Disseram que bala veio "lá de cima do morro". Do pessoal do tráfico. Da droga. Da bandidagem. O pessoal da pacificação, não revidou o tiro. Também puderam. Nem viram. A bala veio perdida. O Ruan tinha dois anos, tava lá deitadão. Dormindo provavelmente. Curtindo o teto do quarto. Dentro da casa da mãe. A bala perdida o encontrou. E pronto. A mãe dele apareceu no jornal chorando, pedindo justiça. E será que vem? Será que tem? Será que muda alguma coisa? O Ruan não vai mais chorar de madrugada. Agora ele virou um post triste no facebo...

Ânglóriath.

Passos no escuro. O sol nascia entre as montanhas. Riscando o céu com manchas amarelas e vermelhas. Estava frio e estaria frio por mais algumas horas. Os antigos d iziam que um sol vermelho representava o sangue que seria derramado no decorrer do dia. Uma mensagem, talvez. "- Histórias para crianças..." -  pensou torcendo os dedos sobre o cabo da sua espada - "Nada mais...". Um mensageiro havia chegado a Thebarh, a cidade sobre a cordilheira. E f oi assim que começou. Ele trazia uma mensagem dos Reinos Baixos. Pedindo que o conselho se reunisse para recebe-lo. Por meses, o clérigo da cidade real trocou cartas com o conselho de Thebarh dando boletins sobre a saúde do Rei. Corvos chegavam a cada três ou quatro dias trazendo nas patas, pequenos cilindros de metal. E lá de dentro eram lidas as curtas cartas que diziam: "- Febre que não diminui. Continuo sangramento nasal. Ausência de força física." "- Diarréia, pústulas de sangue e perda parcia...