Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2015

Um dia desses.

Era uma terça feira. Dessas que vem depois da segunda e antes da quarta. Havia chovido muito, mas mesmo assim eles foram ao cinema. Maria Lúcia tinha os cabelos encharcados pela chuvarada. Luiz Alberto, era careca. Eles estavam sentados nas fileiras do meio da sala. O cinema ficava em um shopping movimentado e a sessão estava quase lotada. Era um filme brasileiro, comédia, com pessoas bonitas e uma história de amor. Não como todos, mas parecido com tantos outros. Luiz Alberto golfava risadas enquanto os protagonistas se desencontravam em um enredo novela das 21h. Quando Maria Lúcia virou a cabeça para o lado e disse: - Eu não acho que eu queira fazer isso. Estranhando a fala dela, ele sem olha-la diz: - Porque??? Esse filme tá ótimo... Olha ali o que tá acontecendo... - Não o cinema Luiz Alberto, a gente. - ela disse lhe interrompendo. Espantado ele a olhou: - O que é isso Maria Lúcia? Tá louca? - SHHHHHHH - fez alguém atrás deles - cala a boca! Houve silêncio. Até que ele rec...

O caso no ocaso.

Vejo no acaso. Do oceano que estou. No raso, me caso. E profundo, me vou.

Para quando eu me for.

Imagem
Queria era escrever textos daqueles que fazem arrancar arrepios. Que as pessoas se emocionam quando leem... Que dizem que foi escrito pelo Pedro Bial ou pelo Luis Fernando Veríssimo. Textos daqueles que se leem em final de big brother, ou em seções de estudo no curso de literatura da PUC. Textos com aquelas frase do tipo: a vida é assim. Quem sabe o que é o amor? Mas na corrida da existência, todos somos vitoriosos. O mundo é lindo e gigantesco. Cheio de fadas e dragões escondidos, esperando os corajosos para os descobrirem. Tu vê, eu queria escrever coisas assim, mas das pontas dos meus dedos só sai lodo e escuridão. Daqui, da praia onde as crianças mortas são trazidas pelas mares, o mundo não é tão bonito. Isso me lembrou dessa foto famosíssima dos anos 90, o autor se chamava Kevin Cartner.   Ele ganhou um Pulitzer pela fotografia tirada em 93. E se matou em 94. Era isso que eu queria fazer, a foto. O bom de publicar algo assim, é que tu nem precisa pensar em um final. É...

A tua vida acaba daqui a pouco. E isso nem é uma coisa tão importante.

Era um desses caras feinhos. Sem nada de charmoso. Comum. Parecido com outros centenas de milhares de Joãos. Apesar de que seu nome era Eros. A história do seu nome, em poucas palavras, foi uma idéia de seu pai. Eros, o Deus grego do amor, sempre lhe serviu de inspiração. Uma inspiração vazia e distante do ícone histórico. Mas que foi forte o suficiente para ser o nome do seu filho. A sogra lhe franziu o cenho. A esposa sorriu da graça. Seu pai perguntou:  "- EGOS?" "- Não pai, EROS! O deus grego do amor..." "- Que bobagem..." E foi assim. Era feinho. Comum. E se chamava Eros. Quando criança foi alvo de brincadeiras escrotas de seus coleguinhas de colégio. Adolescente, era envergonhado e submisso. Como jovem adulto, conheceu outros iguais a ele, principalmente na faculdade. E construiu algumas poucas amizades. Cursou filosofia. Amores platônicos teve dezenas. Na verdade, sabia que não amava nenhuma. Mas desejava para si um relacionamento. Alguém para ...

Mundar.

Vai: Muda o mundo. Se inunda. Fica, imundo o mundo. Sem mudar. Mundo grita. E fica mudo. Mas mudo é mais mundo. Que o imundo mundo que nunca quer mundar.