Quem é você?
Passou por mim. Ombro a ombro na calçada. Nos olhamos por alguns míseros segundos. Aquele olhar de quem se olha só para não se esbarrar. Ele continuou o caminho dele. Nem me viu, eu acho. Eu espero leva-lo para sempre comigo. Eu estava de sapato, ele de chinelo. Estava trabalhando. Ele tinha o rosto cansado. Eu tinha comido, e falava no celular. Ele carregava uma sacola de lixo nas costas e parecia pesado. Eu dava passos largos, tinha pressa. Ele, parecia decepcionado. Mas com o que? Comigo? Com todos nós? Ele era tão frágil. Eu acordei com meu celular tocando uma musica que pude escolher. Ele usava o sol. Sol após sol, ele já nem lembrava mais quantos eram. Filho de um João e de uma Maria. Filho de um Pedro e de uma Silvia. Filho de um pai e de uma mãe que nenhuma diferença fazia. Eu estudei a vida inteira, me formei na faculdade. Ele catava coisas da rua, tudo na mesma cidade. Quem foi que disse que seria justo? Que a vida precisa de sentido? Talvez Deus não exista, é cada um p...