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A mostrar mensagens de junho, 2015

Tá russo?

Sou da época em que as pessoas diziam que "tá russo!" quando a situação estava difícil. Antes disso, a cobrava fumava. Ou a cobra ia fumar e acabou fumando, não vivi essa época. O "russo" eu vivi. A era da cortina de ferro que fazia todo vilão de filmes da década de 80 ser russo, fumante e psicopata. Os russos eram os melhores vilões, até os que não fumavam eram legais. E olha que essa era a época em que fumar era uma das coisas mais cool que um indivíduo podia fazer. Todo rockstar fumava. Todo galã de cinema sabia que podia fumar, imunes a doenças. Era um bom tempo. Hoje eu acordei ouvindo a tv dizer que está russo na Grécia. Acho que agora tá grego! A dívida do país a um dia do vencimento não dá sinais de que será paga.  E a vaca caminha para o brejo. Os gregos não são vilões tão bacanas quantos os russos, acho. Eles são melhores em escrever tragédias. Em pensar em deuses que são falhos, como os seres humanos. Seres humanos são falhos, disso eu sei. Dos deuses, já...

Há mar. Se há!

Chuva forte. Trovoada. Dia azul, porque tudo passa. Vento frio o inverno chegou. É só mais um, ele foi e voltou. Não há lugar para raiva, ignorância ou vontade de fazer o mal. Nossos corpos são pequenos, mas verdadeiros do inicio ao final. As pessoas falam sobre a alma. E o significado da vida. Eu imagino uma grande sala, com duas portas escritas: "entrada" e "saída". A vida é simples, somos nós que a complicamos. Pode ser mentira, mas eles continuam contando. O que importa é ser feliz, sempre tem alguém que diz. E verdade seja dita, isso é importante mesmo. Mas ser feliz é só mais um desejo. Se a realidade que escolhemos nos dificulta entender o seu própria significado, eu prefiro encara-la como um filme. Que ainda não chegou no momento esperado. Que ainda não teve aquele instante, onde tudo é justificado. Onde o mocinho vence o bandido. E o amor se torna algo tão bonito, que nada pode para-lo. É como é. Eu aprendi. Veio depois de caminhar e falar. Veio depois de ...

A vida chama.

A chama da vida está acesa.  E ela dança contra o vento, assim como dança a vida. Com altos e baixos. Quando o vento é forte demais, é preciso proteger a chama. E talvez mante-la viva com as próprias mãos. Seu pavio queima vagarosamente, se afundando entre a cera que escorre, e chama e vela se modificam enquanto queimam. Como a vida nos altera. Como o tempo nos torna diferentes. A cera se acumula na base da vela, em sua essência ainda sendo cera. Ainda sendo a vela. Mas diferente do que foi antes. A chama da vida, assim como qualquer outra chama, pode ter proporções gigantescas ou ser miúda como uma azeitona. Não importa o tamanho da chama. Não é sobre ser grande ou maior que a chama do João e da Maria... É sobre estar aceso. Sobre bruxulear. Sobre não se apagar. Tanto a chama gigantesca de um incêndio, como uma pequenina vela iluminam. É só se imaginar em um quarto escuro, sem nenhuma luz além de uma pequenina chama. Essa chama, essa pequenina luz, é como a vida. E apesar de t...

"Se você for me soltar, me avisa pra eu fechar os olhos. Não vai doer se eu não me ver cair." (Medulla - o novo).

Quando o meu país se vê encarcerado na palavra de mentirosos. Eu me sinto um idiota ao escrever sobre o que escrevo. Não sei se é para ser assim, ainda assim, prefiro dizer o que carrego no peito e ser de verdade do que escrever para ser legalzinho. Então, por mais que não seja legalzinho, eu escrevo isso com medo. E não é um medinho do cinema na sexta a noite com a grande tela passando um filme de monstros e trilhas sonoras assustadoras. Não. Também não é um medo de adolescente naquele momento que só adolescentes que mataram aula ou brigaram no recreio conhecem. Não. Muito menos um medo desses que tu dorme e passa. Um desses que tu assiste "Adventure Time" e se esquece. Nem um medo que amigos e taças de vinho fazem parecer bobo e pequeno. O medo que eu sinto enquanto escrevo isso, é melhor representado pela idéia de que existe a possibilidade de um dia o atual governo do meu país vir atrás de mim, dependendo das palavras que eu escolher digitar aqui. É um medo de navalha na ...