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A mostrar mensagens de maio, 2015

Antes fosse só poesia. Antes fosse...

Na vitrine onde as pessoas se vendem como os pedaços de carne de um açougue, eu imaginei que nada deveria ser assim. A confusão é a força que bagunça as tolices humanas e uma trança que não tem nem começo e muito menos final. Mas perceba, cara alma pura, sem a confusão não haveria trança. Enquanto o relógio corre sempre para a frente, o tempo todo corre para trás. Finito como ele só. A vitória te viciou em um tipo perturbado de prazer mortal. E agora tu vive em busca de qualquer tipo de vitória. Que seja. Isso te faz a pessoa mais frustada do planeta terra. Não de verdade, mas em uma expressão hiperbólica, sim. Mesmo assim, ainda aprenderás a perder. Haverá beleza na derrota? Tu me perguntas com os olhos. Haverá beleza na vida, me disse meu pai um dia, haverá beleza para onde olhares a procurando. O relativismo me segura pelas bolas e sacode na beira do precipício. Preciso fugir dele com medo, quase sempre que o vejo. Não tenho medo do futuro, te revelo. Que ele seja como for. Desde...

Chuvets.

Começo escrevendo duvidando que vá clicar no botão "Publicar" quando chegar ao final. Esse é o melhor começo que posso pensar agora. Acho que isso é um tipo de texto similar a roteiro auto descritivos. Aqueles em que o personagem principal limita os outros personagens com descrições breves mas bem profundas. Do tipo: "João era um assassino." Pronto, não sabes que João gosta de tomate, praia com sol e sertanejo. Mas sabes que ele é um assassino. Enfim, de volta pra cá: começo a acreditar que eu possa ter um ponto para escrever isso. Agora ficou meio roteiro de processo catártico. Nosso herói, nesse caso a mensagem do texto precisa passar por uma ou mais dificuldades, nesse caso todas as sílabas desse texto imbecil. Até alcançar no final o que alguns chamariam de final Disney ou Nirvana (não a banda do Kurt Cobain, o estado de espírito budista). O melhor exemplo desse, é a história infantil cavaleiro salva princesa do dragão e se casa com ela vivendo feliz para sempr...

Sem, se. Com, ser.

Em seca de tempo. Chega o vento. Sigo aqui. Pois seguir é o tudo. Como fala o mudo. Ouve o surdo. Nego o mundo. Para que outro tudo, possa ser. Longe do que era eu. Perto do que era  você.

Sendo sem vergonha e ouvindo uma indie/folk compilation.

Chove lá fora enquanto eu renderizo aqui dentro. Teoricamente quem renderiza são os computadores, eu só apertei as teclas certas nos teclados e mouses. O cálculo matemático de filtros, cortes, trilhas, máscaras e motion dos materiais é por conta da máquina. A sensibilidade de quem decide o momento, a duração, a permanência e a ausência é do ser humano. Máquinas não fazem isso artisticamente. Máquinas selecionam grãos, limitam o movimento de placas de metal e até mostram o interior dos nossos corpos. Cabendo a nós, seres mundanos e humanos o critério do que se fazer com essa informação.  Nós somos muito importantes. Mas a natureza não se importa com a gente. Acho que ela tem coisas mais importantes para se importar. Recentemente eu li uma notícia de que uma dessas máquinas da NASA encontrou um meteoro gigantesco que pode vir a se chocar contra o planeta Terra. E que se isso acontecer, todos vamos morrer. A primeira coisa que me ocorreu foi: como será que é todo mundo saber que vai...

Vasto mundo raso.

De enorme tem só o nome. Vasto mundo raso. Tão rente. Que nem carece ponte. Nem escala monte. Mas se esconde, dia e noite, na essência do que é. Como sol que vai e vem. Sempre o mesmo. Tão diferente. Vestindo o horizonte. Na ânsia que é existir. Com a espera de partir. Para voltar no que há de vir.

Foi subindo para a núvem que o tudo caiu.

Se for torto, melhor. Gosto é do hexagonal. O redondo na verdade é chato. Somos aqueles a quem vocês disseram não. Aqueles que foram esquecidos por não terem o peso certo. O tamanho esperado. Por não serem bons o suficiente. Somos a borra do que sobrou. Não só o que foi deixado de lado para ser devorado mais tarde. Somos as presas doentes, ruins demais para acompanhar o grupo. Ruins demais para serem predadas por nossos caçadores. Assim vagamos sem rumo. Longe da felicidade de termos guiado nossos destinos para o seu fim. Nossos destinos que ainda ecoam no infinito. Longe. Alto. Nada perto daqui. E quando será nosso momento, você me pergunta? Bom, essa é a escolha que nos é deixada. É o que cabe a cada um de nós saber. Um dia, nossos quadros estarão pendurados no teu Louvre. Um dia, nossas terceiras sinfonias tocarão nas tuas caixas de som. Haverá um dia, em que nossos nomes estarão estampados nos livros das tuas estantes. Acontecerá de, um dia, a tua prole glorificar nossos nomes. ...

Se para, para ouvir, fica surdo além de parado.

Toda vez que se lembra, a idéia lhe escapa. Ele vive a promessa do que se tornará real. Como a transição entre as estações. Aquela curta lacuna entre os períodos que damos para a distância da terra ao Sol. Enquanto o planeta flutua por entre seus caminhos siderais. Mudando o vento. Os entardeceres. E a forma como a vida se comporta nesse grão de poeira. Flutua nesse oceano de gases, como se nadasse no mar. De diversas formas, não passa de um peixe. Vive em um recife de concreto. Tem a vida em ciclos roucos. Asperos como lixas que lhe raspam a pele. Segue presas e plantas durante o dia. E as vezes é pego em um anzol. Se debate na louca luta contra o fim da sua longa vida. Move os músculos em espasmos violentos. Tem convulsões. Rasga a própria carne e sangra para viver. Eu sou amigo dele. E demorei anos até compreender que a sua relação com a existência é distante da própria matéria. Longe do padrão vendido pela transmissão comportamental das gerações. E é somente através dessa distânci...