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A mostrar mensagens de março, 2015

Aquele lugar de onde as lágrimas vem.

Vê? O vento é transparente. Feito o amor e a verdade. Vento não  se vê. Feito o amor e a saudade. Vento se  sente.

Para dormir, as vezes, é preciso fingir estar dormindo.

Vi o dia amanhecer hoje. Agora o céu está azul e a rua vazia. Um cachorro latiu lá longe. E eu vi um bando de passarinhos voar. Pensei se eles estavam indo trabalhar. Sei que não. Hoje é sábado e pássaros não trabalham aos sábados. Lentamente a rua vai sendo preenchida por carros. Pessoas trabalham sábados. Sábado passado nessa mesma hora, eu estava procurando trilhas sonoras para um projeto de um cliente. Gosto do silêncio da manhã. Gosto da calma que o mundo tem enquanto as pessoas dormem. Frequentemente me pego imaginando como era o planeta antes de existirmos. Os sons da natureza. A chuva que não incomodou ninguém. As árvores que cresceram e morreram sem nunca serem escaladas por nós. O cheiro das frutas em um longo espectro do doce ao podre. As estações do ano, sem ninguém reclamar do excesso de calor. A água correndo pelo rio. O mar. A noite. A vida que ninguém viu. O mundo que ninguém soube se realmente existiu. Agora nós somos tão importantes. Com os nossos seguidores do insta...

Eu fico aqui imaginando.

Enquanto o dia corre para frente, eu tenho a impressão de que o mundo corre para trás. Quase nada parece ser feito com o coração. O céu é lindo. O chão é horrível. Escutei alguém reclamando sobre o tempo que perdeu no telefone com a operadora de tv a cabo. Tudo que consigo pensar é: "- O universo não se importa." Somos um grão de poeira flutuando. Descobri vendo uma comparação entre o tamanho dos planetas na Discovery. Parei para pensar em quem inventou o nome do canal Discovery. Disco very. Esse cara é um gênio. Será que o mundo vive mesmo sob a tutela de uma grupo de 7 trilionários alienígenas? Provavelmente não. Provavelmente nossa crueldade mútua é gratuita. E a vida não precisa de significado para acontecer.  Desenho no papel. Rasgo o papel e jogo fora. Espero o arquivo subir para o FTP e imagino como será a internet daqui a 15 anos. Li esses dias, em alguma baía digital que o próximo passo da internet é não necessitar de conexão. Tudo estará conectado todo o tempo. N...

Bú!

A besta que em ti reside. Fez morada aqui também. E é a mesma besta do João. Que a Maria conhece tão bem. A besta que nos habita a todos. É uma só criatura. Peluda, pelada, corcunda. Mais velha, tão jovem e sem bunda. A besta não nega por cor. Por crença. E posição. A besta que mata sem doer. Odeia sem falar. Na nossa escuridão.

Não sei bem.

Se me falam do ódio, digo depende. Ódio é irmão do amor. Sentimentos são parentes. Estão todos por perto, onde for. Como visita que chega, sentimento vem. Se abres a porta, pedem café também. Se há jantar, não reclamam do que tem. Sentimento come até merda. E tudo bem. Nós os alimentamos. Os vemos crescer. Eles vivem felizes. Mas como tudo que é vivo, sentimento precisa morrer. Fim de sentimento é nada. Sorriso. É lágrima.

Um dia eu vou morrer. Um dia eu chego lá!

Transbordei. Escorreu pelo mundo inteiro. Não sei o que era mas tinha cheiro de perfume e coco ao mesmo tempo. Engraçado que tudo que tem cheiro de perfume e coco ao mesmo tempo, vai ter cheiro só de coco. Ninguém cheira algo com perfume e bosta e diz: "- Que perfume bom, pena que tem cheiro de coco." Eu escorri isso. Gaguejei em público enquanto suava no discurso da minha formatura. Eu nunca fiz questão de morrer. Nem faço ainda. Só não quero me distanciar do meu próprio fim. Assim consigo não viver o filme holywoodiano que esse punhado de gente tansa quer protagonizar. E tudo bem que alguém me ache um babaca durante o caminho. Não é culpa de ninguém. A vida é assim mesmo. Superestimada. Na minha crença torta, o pós vida tá lá rindo das nossas dificuldades. Enquanto aqui sofremos terrivelmente com tudo e qualquer coisa. Mas me diga, o que a vida te aprontou dessa vez? Porque mesmo que a reposta seja nada, sem dúvidas tu vais estar chateado com essa ausência de problemas. N...

Daqui a 33 anos quero ler esse texto.

O Brasil é um país lindo. Mas somos um povo burro. E eu não chamo de burro a porção tida como "ignorante" da população. Eu não me refiro aos analfabetos ou aos que não tem acesso a cultura e comunicação. A verdade é que o povo brasileiro é mole. Nós somos pacíficos demais, somos serenos demais. Somos calmos demais. Aí alguém vai me dizer: "mas com essa violência toda, você diz que somos pacíficos?". Sim, aceitamos a violência com muita paz. Aceitamos a corrupção com muita calma. Aceitamos a imposição do Estado de forma muito moderada. Enquanto escrevo esse texto, sinto que estamos a beira de uma revolução. E eu não poderia desejar coisa melhor para essa nação. Não vivo o sonho utópico de imaginar um país soberano com nenhuma corrupção.  Não. Mas também não precisamos viver em um país que de soberano tem pouco e ainda menos e de ético.  O Brasil é um país cruel. Nosso povo ainda é escravo. Só que não temos mais um dono. Temos vários, sentados em palácios (da alvor...