A solidão do universo contra as bandas de axé do planeta terra.
Soprava um vento suave enquanto o mundo existia lá fora. No passado, foi escrito, porque no passado tudo é lido. Sempre que alguém escreve algo, isso é passado. O que se foi. O que você escreveu e ninguém viu. Como o que você pensou e ninguém soube. Como o que você imaginou ou sonhou, e não tinha ninguém lá pra ver e ouvir. Eu pensei em um lugar onde alguém assistia aos meus sonhos. Essa entidade me conhece mais do que eu mesmo. Passando pela rua, não sei se era sonho ou não, vi um muro pichado. Palavras certas, mas escrito errado. Imaginei que era verdade que o mundo era assim, um lugar bom e ruim. Não. Não imaginei. Eu sei. Enquanto a gente conversa sobre o asfalto da rua e se hoje chove ou não, o universo sorri. Uma pedra correu de uma montanha no alto do Himalaia. Ninguém viu. É como se nem tivesse acontecido. Se a vida é um filme, a visão é o quadro do que assistimos. E é por isso que eu adoro falar com cegos. Meu pai era quase cego, no fim. E conversávamos longamente sobre a vida...