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A mostrar mensagens de outubro, 2014

Ouvindo: The paper kites (featherstone).

Clique aqui. E vem comigo. Flutua o vento sobre a terra. Invadindo toda casa e apartamento, pela porta ou janela. Outro dia o vento jantou comigo. Ele é gentil e foi um bom amigo. Conversamos sobre devaneios e vendavais. Ele sussurava pelas cortinas e persianas enquanto eu falava cortando algumas cebolas. O vento é gente boa. Na hora de ir embora me disse que gostou da comida, mas que a minha companhia foi inspiradora. Eu disse "ah vento, obrigado!". Eu acho que o vi sorrir, um sorriso meio de lado. Ele não precisou pegar o elevador, desceu pela fresta da porta, direto no fosso. O olhei indo embora pela janela. Pulando de árvore em árvore, remexendo as folhas da rua. Até dobrar uma esquina e desaparecer. O céu era roxo azulado amarelo avermelhado branco esverdeado e cheio de núvens cinzas acizentadas. Pensei que o mundo fosse uma gota flutuando no oceano do espaço. E tive sono imaginando isso no céu do meu quarto. Dormi um sono cansado, de tv ligada com os pés calçados e a...

Todo eu de mim.

Sou água. Escorro. Todo eu de mim vive. Enquanto morro. Derreto dias. Gotejo sonhos. Mergulho-me e esqueço. Que me afogo aos poucos.

O mundo sangra.

Diz o ditado popular que opinião cada um tem a sua. Mentira. Opinião cada um bebe da fonte que pode ou quer pra criar a sua. Uns leem jornais. Outros navegam na deep web em busca de uma espécie de calice sagrado cristão dos internautas. A famosa "notícia que ninguém (ou poucos) conhecem". Tem ainda os que façam a procura ao contrário... Ouvindo a Dona Chica dizer que escutou a Paulinha filha da Gertrudes falar que a Maricléia leu no jornal do bairro dela que o Aécio Neves vai acabar com o bolsa família se ganhar a eleição pra governador de MG de novo... Oi? A informação é uma das formas mais antigas de poder. Reis, lordes, padres, presidentes, governadores e Papas a utilizaram. Controlaram seu fluxo. Incentivaram a sua propagação ou contração na sociedade ao seu bél prazer. E se você, coxinha zeguedé, acredita que com a internerd a coisa "melhorou", eu te pergunto: melhorou pra quem? Porque como sempre, nesse blog e na vida, depende do ponto de vista de cada um. Me...

Ele não entendeu a piada.

Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=ZqJhd9M7Zdk Ele caminha o caminho, sozinho. Porque o caminho não se caminha de outra forma. Caminhar é algo solitário. Solitário mesmo quando feito em conjunto. Não, ele não acredita em cooperativismo. Ele acredita em "acreditismo". Acha que a maior parte da sua geração acredita demais em algo. Nem que seja o acreditar na ausência de algo. A crença humana se tornou uma doença. "- Somos todos escravos de algo". - diz ele com frequência. Ele escuta a voz dos outros e as palavras que suas bocas fazem durante o movimento de contração e relaxamento das mandíbulas. Ele percebe suas línguas dançando coreografias umidas de saliva dentro dos salões rosas das bochechas, enquanto procura pelo significado além das palavras. "- É burro quem escuta só com as orelhas". - ele me disse um dia. A vida que vivemos é um sonho. Quase tudo se resume a dinheiro, poder, amor, prazer, luxo, gordura, doenças e finalmente a morte. E a única ...

Ele atendeu o telefone.

Se fosse um curta metade sci-fi, metade comédia romantica idiotíca, metade independente, metade "tallest man on earth", seria algo assim: Um grupo de poucos amigos, eram 4 mais um fez sucesso pra caralho e foi morar em algum lugar maneiro na europa. Ficaram os 3 meio frustrados na cidade em que nasceram. O cara que foi morar fora acabou se mostrando meio que um pica das galaxias em técnologia e recebeu um puta emprego em uma puta empresa. A vida é chata e cheia de rotina. Um dia, um deles volta pra casa e encontra o amigo famoso na cozinha. Conversam de como ele entrou ali sem a chave. O cara é foda e não precisa de chave. Ele da respostas incompletas, do tipo: "- Eu nunca precisei de chave pra abrir nenhuma fechadura na minha vida... Não vai ser agora que vou precisar..." - sem nenhuma outra explicação. Ele, aparentemente voltou temporariamente. Explica pro amigo que precisa reunir todo mundo e precisa ser agora. Eles se juntam e o geniozinho famoso expli...

Ele morreu.

O roteiro do curta (10-12 minutos) precisa começar com fotos de amigos. Um grupo no melhor/pior estilo Friends da Warner. 3 caras e 3 meninas. Um pode ser negro e bem sucedido. Um pode ser branco e galã. Um pode ser jambo e gay. Uma das meninas pode ser loira inteligente e bem sucedida. Uma pode ser morena e curta no sentido ignorante da palavra. E uma pode ser castanho claro/escura com sérios problemas de grana na vida. Pronto. Agora esquece o Friends. Era só um molde. Joga ele fora. A história vai ser o seguinte: Um dos caras convence os amigos a postar no facebook mensagens referentes a morte dele. O motivo pode ser: a) o término de um namoro. b) uma amiga que se declarou para ele. c) a necessidade de fugir da sociedade por qq motivo (emprego, dívidas, crime que ele acha que cometeu mas que será inocentado no final, um cara chato que o procura por qq motivo, etc...) d) férias forçadas e) algo escondido que será revelado no final. Os amigos topam por efeito dominó. O...

A letra que vem depois do Z.

Se João me fala sobre o erro de Paulo, aprendo mais sobre João do que sobre Paulo.

Destino mudo, porque destino igual e falante é uma sacola furada.

No vapor do sonho, ele morreu. Foi porque quis também, ninguém obrigou. E tudo bem. O destino é mesmo um merda. Tipo daqueles merdas brincalhões que todo mundo odeia mas ninguém consegue assassinar. E eu desconfio que só não conseguimos matar porque ele é mudo. Se o destino se quer pudesse falar, ele seria definido por uma locução de um trailer da seção da tarde: "Nesse verão, esse garoto conheceu seu detino. E juntos eles vão aprontar mil e uma estripulias entre seus amigos!" Algo assim. Talvez.  

Ligue: 0800-DEUS

Deus me ligou. Não metaforicamente. Deus realmente me ligou no meu telefone celular. Atendi um número escrito "Desconhecido?". Achei estranho ter a interrogação. Era o único "sinal". Foi algo como: "- Alô?" "- Leandro?" "- Sim, quem é?" "- Deus!" "- (silencio)" "- Sou Deus!" - ele repetiu calmamente. "- Qual é o sentido da vida?" "- Não adianta, o mais perto que vais chegar disso é a dica que dei no Guia do mochileiro das Galáxias: 42!" "- Eu li. Mas 42 não me diz nada!" "- É, nisso eu não posso te ajudar... Mas to ligando por um outro motivo..." O interrompi: "- Tu já tinhas ligado pra alguém na história da humanidade?" "- Sim..." - ele respondeu um pouco ressabiado. "- Pra quem?" "- Eu mandei uma carta pra Cristovão Colombo... Falando da América... Já era hora de eles sairem do continente que vocês chamam de Europa....