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A mostrar mensagens de junho, 2014

"Em execesso até fracasso faz sucesso por aí..." (Pouca vogal)

Aquilo que te aplaca o medo dos bolsos para fora das calças. Te larga na rua sem nome. Na noite sem dia. Com frio na alma. Apavorado como quem pula o muro em segredo. Ou é pego pelo tsunami sem avisos. É isso que te faz se sentir vivo. É isso que te lembra que a vida é mais que um dia atrás do outro. Com problemas, prazeres e planos. A vida não pode terminar com a morte. Nem a morte terminar com a vida. Caminhar para muito além do tempo.  Porque tudo que o tempo faz é ter fim.  
Cometa que passou por aqui. Como ter saudade do que não vi.
O problema dos bons livros e das pessoas legais é o mesmo. Eventualmente, as duas coisas tem um fim.

Pô, és má!

Segue vida Vai no caminho Vem na vontade Da trilha sonora Roteiro e livro Na garrafa do vinho Janela aberta E a porta trancada Final de história É sempre destino Com noite comprida Sem alvorada Quietude do tempo Do relógio de pulso Coração que bate Na vida passada.

Cartas à qualquer lugar.

Enquanto o mundo girava, eu escrevi essas palavras. E só as chamei de "cartas à qualquer lugar" porque elas fazem parte de uma antiga mania: escrever para ninguém. Assim, tanto faz quem le-la. Tanto faz se ninguém ler. Não um tanto faz nojento e desimportado. É um tanto faz, tudo bem. Porque está tudo bem. Por muitos anos tive a impressão de que a busca pelo sentido da vida (e de tantas outras coisas) é uma grande bobagem. Bobagem essa que provavelmente nos assombra a mais tempo do que podemos lembrar. Acontece que outro dia, uma lesma me contou que o sentido para a vida e suas coisas é a busca. E que aqueles que encontram um sentido real para qualquer coisa, e alegam ser o sentido verdadeiro, são como aqueles que assistem a um unico por do sol e dizem que aquele é o por do sol mais belo do mundo. De todo o mundo inteiro. A lesma foi embora. Me disse que tinha compromissos, pessoas com quem conversar. Assuntos para resolver. Coisas importantes. Ligações internacionais. Ques...

Amores e desamores são igualmente bonitos. Se tu parar para pensar sobre isso. Se não, tanto faz. Como tudo na vida. Nem tudo. Mas quase. Tu entendeu. Provavelmente...

Não adianta. Escrever bonitinho não é para mim. Eu escrevo feio. Errado, e sei disso. Quase "dejeto" escrevendo. Como se dejetar fosse um verbo. Pois bem sabemos, não é. Mas podia ser. Tanto podia que você entendeu o que eu disse. E se não entendeu, bom, tanto faz...  Sinceramente. Edward Sharpe & The Magnetic Zeros gritam nos meus fones que "casa é onde eu estiver com você".  "- Clica e ouça você também" (esse fui eu sendo digital). A lista de coisas "para se fazer" na vida não para de crescer. Apesar de eu nunca ter feito essa lista. E nem acreditar que um dia irei faze-la. O amor entre duas pessoas que se respeitam de verdade é tão raro que eu não consigo mais acreditar em qualquer amor. Isso é como uma maldição. Eu digo, não acreditar é como uma maldição. Um amigo murmurou outro dia, que a mentira é a unica forma de realidade tolerável. Que a verdade verdadeira, aquela sem as suavidades da voz "dela". Sem a calma a luz de...

O certo que o errado fez.

Você nasce, cresce e morre. Essa é a lei. Alguns se escondem da regra. Não nascem ou não crescem. Talvez alguém não morra também.  Vai ver o mundo tem mesmo magia, duendes e dragões. Vai ver em algum vale distante se esconde um castelo de pedra cinza, cheio de elfos com orelhas pontudas que dançam ao som de Enya. Vai ver que Enya é um conjunto musical saido das profundezas desse mundo. Diretamente para as paradas pop dos anos 80. Vai ver que tudo é um grande devaneio. E a vida como a conhecemos é só um teatro que  Salvador Dalí convenceu o "Criador" de que era uma ótima idéia fazer. E lhe deixou dirigir. Partindo finalmente para as suas tão esperadas férias na constelação mais distante do universo. Longe de toda nossa ignorância e prepotência arbitraria infantil inerente a humanidade. Pouco me importa de onde a paixão vem, me disse a televisão, o que me importa é para onde ela vai me levar. Gira mundo. Espera universo. Eu fico aqui no meu centimetro cúbico kármico, sen...

2014.

Do lado de fora dos estádios, não tem festa. Nenhuma fantasia com coreografia, música alta bonita, fumaça colorida e cornetas divertidas. Do lado de fora do estádio, nós ouviamos tudo isso de longe.  E ficamos imaginando. Com os pés no chão de barro molhado.  Nossas roupas não são oficiais da Nike, ou listradas Adidas. Achamos esses calções por aqui mesmo. Jogados fora por alguém que poderia comprar outros pelo computador. Por alguém que viajou para Miami a pouco tempo e encontrou uma daquelas promoções 3 peças por 19.99 dolares na gondola de coleções antigas que os norte americanos ignoram. E os latinos emergentes que compram suas passagens aéreas em 60x no cartão de crédito, adoram. Nossas camisetas são de propagandas ultrapassadas. Antigas com logos rasgadas na frente. Golas alargadas nos pescoços. Furo nas costuras. Manchas de sujeira. Merda, lama e poeira. Os cabelos dos jogadores, são disputados a tesouradas metafóricas por cabeleireiros internacionais. Cortes e tintur...

A natureza humana, a Copa do Mundo no Brasil e um guarda chuva.

Ver a midia dizendo que não é culpa do nosso futebol o Brasil ser um dos paises com os piores índices sociais do planeta, me dá nojo. Entre apoiar a sociedade civil e os blackblocs eu realmente fico em cima do muro. Entendo que nem todo individuo na sociedade brasileira precise ser o herói que os manifestantes esperam. Alguns de nós querem só viver suas vidas em paz. Ok. Isso é um direito de todo homem e mulher nesse planeta. Só que nem todo homem e mulher pode se dar esse luxo. Perceba, nobre leitor, é muito fácil para quem come todo dia e luta contra a balança para perder peso dizer que "esses vagabundos deviam é achar um emprego". A verdade é que a gente se esqueceu de como se colocar na posição dos outros. Vivemos, provavelmente, a era mais hedonista da história do planeta. Suprimimos tantas dores que até a dor alheia perdeu a intensidade. Estamos quase acostumados a ver pessoas moribundas pedindo dinheiro, comida, emprego, atenção, respeito... Aos nossos olhos progra...