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A mostrar mensagens de março, 2014

Para as regras da vida.

Me disseram que a maior prova de amor que se pode dar é o tempo dedicado ao próximo. O tempo que se "perde" para cuidar das coisas que não são nossas. Que são deles. Que importam para aqueles que amamos. Mais do que para nós mesmos. E que ainda assim, cuidamos. E quem ama, cuida. Diz o ditado popular. Sim, quem ama cuida. Eles dizem. Bem como "acordar" significa "dar a cor" (a cor dar ao dia, com o sol que rompe a escuridão noturna e da cor ao dia), quem cuida de algo tem por aquilo algum cuidado. E ter cuidado não é muito além de "cuidar do". Como na frase: Cuidado com o lobo, ele pode te devorar. Ou: Cuidado com essa criança, ela pode cair. Cuidar do lobo e da criança requer a mesma atenção. A diferença é que a criança pode morrer e o lobo pode te matar. Cuidar do amor é parecido. Cuidado com ele. O amor pode ser criança ou lobo. Como um flor que morre afogada no excesso da água ou que seca e apodrece diante do sol de mediadas exageradas. Ent...

Os anos 80 voltaram. Mas tudo mudou.

Quando minha sobrinha de quase 2 anos de idade me oferece um pedaço de chocolate dizendo:  "- Tó tititio...." Eu sei. Os anos 80 voltaram. A música com sintetizadores. As camisas quadriculadas, listradas, estampadas. Os cabelos molhados (agora lambidos, antes eram flufluzentos). O cinema pseudo engraçado de histórias que quase todo mundo já sabe como termina. É, não há como negar... Me ocorreu, por esses dias, que a vida é um sonho que só a morte desfaz. E me poupa do teu pensamento de que eu estou pensando em me matar. Deixa de ser tanso. Primeiro de tudo eu preciso que você pare sua vida e leia "O estranho misterioso" de Mark Twain. Feito isso, não haverão mais pessoas mortas ou vivas. E ninguém aqui está dizendo oi pro suicídio. Talvez sejam só os finais de tarde outonais chegando cedo. Ou o vinho gelado invadindo minha garganta como minha dentista disse que eu não deveria, por causa do clareamento dental. Ou mesmo, seja a misantropia do universo toda canal...

Coragem grande é poder dizer sim.

Se passa o tempo, passa tudo. Vida. Dia. Passa o mundo. E se tempo escorre, seca, e vem de novo. Acho assim: O tempo ontem,  hoje é outro.

Postergando o destino.

Quem atrasa o próprio relógio, não pode reclamar de não estar no horário certo do compromisso. É bem simples isso. Ainda assim, gostamos mesmo é de nos ver nos ferrando. Não é possível, mas é verdade. Vou contar uma piada. A primeira nesse blog (não que isso mude alguma coisa. ok.): Um homem morava afastado da cidade. E quando a chuva começou, ele pensou que seria só mais uma chuvinha de verão. Logo percebeu que não. O rio atrás da sua casa transbordou e um vizinho veio a cavalo dizendo que eles deviam ir embora dali. "- Deus me ajudará!" - alegou o dono da casa cheio de razão. A chuva aumentou e chegou na casa. Logo na cintura do proprietário. Foi mais ou menos no momento em que a canoa dos bombeiros chegou. Ele terminava de levantar sua mobília quando foi convidado a abandonar a casa e ir para um abrigo. "- Deus me ajudará!" - disse para o bombeiro, que lhe respondeu com os ombros e foi embora. Quando a chuva empurrou o dono da casa para o telhado, ele per...

Aquele texto que escrevi enquanto escrevia um roteiro.

Sem hipocrisia. Para. O QUE? Ser hipócrita é algo que o ser humano aprendeu antes de ser humano. Começa de novo, por favor. Só porque você foi gentil: É muito pouco, ser humano. Eu digo. Nós somos muito bons em ser ruins. Que coisa horrível pra se dizer. Como aquilo que o Caio Blat falou sobre o cinema nacional... É que ser hipócrita vai muito além da nossa capacidade. Ser hipócrita é algo do tipo "quando percebi já foi". E provavelmente, nenhum ser humano na história de toda a humanidade deixou de ser hipócrita. Deixa essa de "sem hipocrisia" pra lá. E vamos tomar um sorvete que esse final de tarde é bonito demais pra ser perdido. A ignorância é felicidade? Se for.

Pode ser cruel a eternidade.

A repetição é algo tão devastador que enquanto escrevo essas palavras, tenho a mais nítida impressão que já escrevi 62 textos com o mesmo título. Na vida. E é bem possível que não seja só uma impressão. Que seja de fato um dos limites da minha criatividade sendo determinado. Publicamente, como um muro. Ainda assim, a vontade de dizer é tão maior que a vergonha de repetir. "- Não há vergonha nisso!" me diz uma garrafinha da água vazia de dentro da lixeira ao lado da minha mesa. "- Calada garrafa." - respondo sem olhar. "- Humpf! Egocêntrico!". "- Eu não vou me importar com a opinião de uma garrafa..." "- Pois saiba que Deus está em todo lugar! Eu posso ser Deus!!!" "- Eu nem sei se Deus realmente existe..." "- Incrédulo." "- Garrafa!" (Silêncio "ignorativo") "- Sim eu sou uma garrafa... E dai!?" - pergunta ela irritada. "- E dai que se você é uma garrafa essa é toda defin...

Ao nosso amor, o eterno dá?

Silêncioso como um mar calmo. Cheio do leve movimento das ondas. De um dia suave e azul. De céu aberto como o sorriso dela. Onde o vento gentil encontra o calor do sol e os dois se entrelaçam por toda uma estação. O verão das nossas vidas, eu digo.  Ouvindo Los Hermanos eles cantarolam debochados que sair de casa é se aventurar. Mas nada se compara ao caminhar dela. Ele sabe. Ela quase tamborila pelo mundo, com seus pés pequenos e seus ombros que dançam enquanto caminha. Eu quis te conhecer , e fico feliz de ter quisto. Porque a vida pode ser realmente surpreendente. É preciso insistir. Como uma existência que briga com a morte sabendo jamais vencer. E ainda assim, sem nunca desistir. Para eternamente perder. A beleza disso tudo não está na eternidade, me diz minha cachola de Pandora. Não. A beleza disso tudo está na capacidade célere de que tudo acontece. Da forma como vivemos sem saber se há um destino ou mais de um.  "- Não é possível conhecer o final da história sem vive...

Não era bem isso. Mas era muito parecido.

Disse pra ela que aquele final da tarde era lindo. Mas na verdade era só um final de tarde ordinário. Com o céu manchado como um quadro pintado com tinta fresca. Ela disse que viver ao lado dele era um sonho. Mas na verdade eram só um casal normal, com suas neuroses e felicidades algumas vezes quase imperceptíveis. Ele respondeu que acreditava no futuro. Mas na verdade ele só esperava que tudo ficasse bem. Eventualmente... Ela sorriu. Mas na verdade estava nervosa. Cansada. Com calor. E bastante ansiosa. Ele olhou para as próprias mãos. E também sorriu. Mas só porque lembrou que uma ex namorada dizia que ele tinha mãos lindas. Coisa que a atual nunca havia dito. Eles ficaram ali sentados, vivendo as mentiras um do outro. Eram felizes o suficiente. Ou algo muito parecido com isso...

O bom senso está de mal comigo.

Lombadas são a comprovação da completa ausência de bom senso do ser humano. Sem lombadas, nós nos matariamos em atropelamentos, capotamentos, enforcamentos e outros tipos de lamentos. Ao invés disso, temos lombadas. Lombadas controlam a velocidade dos nossos carros. Dizem quando precisamos parar. Não de uma forma tranquila. E sim: "para teu carro ou quebra ele e perde dinheiro, sôtário!". Se fosse opção, ninguém parava. Tá vai, ninguém não. Mas quase ninguém. Se fosse opção a gente acelerava até o stripclub mais próximo possível de Las Vegas e ficávamos por lá. Desenvolvendo novas cepas das DSTs já conhecidas com meninas que usam a desculpa de que precisam pagar por cursos profissionalizantes quando só querem comprar mais cocaina, mais crack e menos amor. Sim, o ser humano pode ser o fundo do poço. Na minha teoria, nos fomos criados pra descobrir se não é possível chegar mais fundo no poço. Explico: existia um poço. Ele era fundo. Aí, alguém da administração disse que o cara ...

É tudo desencontro.

O mundo é um lugar caótico. Novidade? Nenhuma. Porque escrever sobre isso? Puro desalento social. Pessoas frequentemente se desencontram no ir e vir da vida. Quando ele ia, ela voltava. Quando ela ia, ele estava voltando. Um de carro, a outra de trem. Ela de avião, outro de navio. Ninguém se vendo. Ninguém sabendo. Todo mundo achando um monte de coisa. Mas nada certo. Tudo errado, na verdade. Em caminhos de desalinho. Melodias de notas erradas. Beijos distantes de bocas desencontradas. E muita tristeza nas madrugadas. Os dias nasciam sem sol. As noites vinham sem estrelas. A comida tinha gosto curto. Quase nenhum. Pensei que tinha ouvido o mar. Que esse som, era das ondas a quebrar. Mas no final: Era só o fim chegando cedo. De um dia que ninguém quis lembrar. Porque todo desencontro da vida é uma forma de novamente se encontrar. Até que seja a hora de nunca mais partir. Até que seja a hora de ficar ;)  

Não há razão sem paixão.

Carnaval tem paixão. Todo mundo sabe. Pode até não ser carnaval pra ti. Ou pra mim. Ou pra um monte de gente... Mas pra quem é, tem paixão. Carnaval sem paixão é algo como jantar sem gostar do prato que se está comendo. Carnaval sem paixão é assistir a um filme forçado, sem vontade. É o mesmo que estar com alguém que não se tem vontade verdadeira de estar. Porque paixão é um dos combustíveis da vida. É um dos motores do mundo. Sem paixão, não se teria sede de vida para que a gente olhasse pra fora da caverna. Sem ela, o mundo se acinzenta. O mundo entra naquele estado petreficado de estar estacionado. Esperando. Esfriando. Se chateando com o sol ou a chuva. No tédio. Na insuportável posição que tudo que está de saco cheio fica... É preciso vontade pra se viver. Qualquer coisa. Mesmo o tédio. E tudo bem se alguém me mandar um whats dizendo que é apaixonado pelo tédio. Eu aceito a condição. Mas ainda ali, haverá paixão. Outro dia, pensando sobre o mundo, me aplacou o pensamento de que...