Perdi a chance de fazer meu clipe para o Sigur Rós.
Doeu uma dor daquelas que a vida engole com o rodar do ponteiro. Quando decidimos vir para esse mundo, e provavelmente uma das ultimas coisas que fazemos no mundo além desse, é dar corda ao relógio da vida. No relógio que fica lá, além da cortina do material e que determina quanto tempo ficamos por aqui. Eu penso nessa cena como uma despedida. Não eterna, numa despedida temporária. Do tipo: "- Boa sorte ! Nos vemos mais tarde..." Um monte de gente que nos conhece ou nos conheceu, ou quer nos conhecer. Paradas na frente de um arco de pedra que dá passagem pra esse planeta. Tu deu um passo a frente, só tu. Cabeça baixa, pés descalços. Ventava um pouquinho. Tirando o cabelo dos olhos, tu se virou e alguém te disse: "- Que o caminho seja gentil com os teus pés..." Você sorriu com medo. Mas o medo é algo que só aterroriza os vivos. Ali, não há medo da dor. Não há medo do incerto existencial. Não há lugar para as nossas picuinhas e desentenderes carnais. Não. O que...