Pablo Neruda, Dna Selma e um livro sobre corvos.
A menina subiu o morro. Carregava uma torta confeitada, daquelas bem cheias de frutas e cremes de ovos em cima. Se equilibrou por entre as ruelas da comunidade até a casa da mãe. Um muro baixo, com não mais de meio metro. Pintado de amarelo antigo, daqueles que descascam com o passar dos anos, das chuvas, do sol e de mais anos. O portão já foi bonito e bem trabalhado mas agora era antigo e enferrujado. Sem grama, haviam espaços preenchidos por pedras britas e lama. A campainha foram algumas palmas batidas com o equilíbrio devido de uma criança que completa 15 anos e carrega um bolo. O silêncio foi mortal, me disseram. Segundos daqueles que demoram anos, décadas para sarar. Segundos daqueles que não saram, muitas vezes... A velha que abriu a porta, não era mãe de ninguém. Apesar de ter parido mais de dois pares de crianças. Ela não atendia ao chamado de mãe. E seu coração, pobre que era, estava lacrado ao amor e a vida. A menina lhe disse algumas palavras e ofertou a torta com o melhor ...