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A mostrar mensagens de julho, 2011

E vem um imbecil me falar sobre as imbecilidades do mundo.

Normalmente, quem se acha correto em algo não aceita novas opiniões. E é sem perceber, muitas vezes, que acaba se tornando tão errado quanto quem realmente está errado. Porque estar certo não é um ponto definitivo. Na realidade, estar certo é quase mais fugaz que estar errado. O errado pode se converter pra certo com relativa facilidade. Ele aprende. O certo fica ancorado ao ego. Se balançando como um carrapato pendurado no escroto de um touro reprodutor. Orgulhoso por ter todo aquele sangue da vitória vencida. Mal sabe o imbecil, que vencer alguma coisa é só um pedaço da fatia do bolo. E que pouquíssimos de nós vão comer o bolo inteiro. Então, enfia essa porra de fatia de bolo no bolso (isso mesmo, no bolso... bem melecado mesmo, com morangos caindo no chão e creme melecando nojentamente tuas mãos...) e continua a caminhar. Admite que estar certo é uma possibilidade e não uma obrigação. Ouve escutando o que te dizem e te lembra que o belo do mundo ainda está pra nascer. Pouca coisa é ...

Os dias futuros e meus pés tortos.

Espirrei um momento. Desses que não se pode planear. Que ninguém espera ter. Foi só uma gota de chuva, no vento. Como uma foto em movimento. Em um domingo de sol lento. Onde lembranças oscilavam. E nem pude ver se aproximar. Tão apressurado. Impossível de represar. Me saltou afora da alma. Feito paixão apartada. Sem anúncio de adeus. Lágrima de mágoa. Ou pesar regurgitado. Momento maldito que saiu de mim. Pairou por dois instantes. Rodopiou e desapareceu. Sem depois ou antes. Tive que ser valente. Fantasiado de grande. Ouvi tudo que foi dito. E caminhei pra longe sozinho. Asseando minhas narinas. De novo.

Guilhermina e seus sete namorados. (Subtítulo moral: Eu gosto é do gosto.)

Guilhermina tinha vários namorados. Gostava de aspectos diferentes de cada um deles. Tinha um para as noites de solidão. Outro para pagar seus jantares e festas menores. Um para os presentes mais caros e viagens longas. Tinha o que sabia como lhe ouvir e dos carinhos que ela gostava. O intelectual que ajudava nos esclarecimentos. O que a fazia se sentir uma mulher bonita e que fazia amor como se fosse a última vez. E finalmente, tinha aquele por qual ela era apaixonada. Desde pequena, Guilhermina sempre foi precoce. Beijava meninos escondida no primeiros anos de colégio. As vezes, até os forçava a beija-la. Continuou os beijando através dos anos, eventualmente beijava uma menina. Mas só para se sentir ousada na frente das outras pessoas. Fazia questão de não conter sua sexualidade em público. Isso desafiava os outros. A colocava em uma posição de excêntrica moderninha. E ela gostava disso. Adorava se sentir diferente das outras meninas de sua idade. Com o passar dos anos, suas relações...

Nada esconde a falta de gentileza.

Uma flauta transversal me acorda. É sábado de manhã. Tem cheiro de café forte vindo da cozinha. E o sol alcançou meus pés. Parece um sonho, e talvez seja, mas eu prefiro ficar aqui que acordar no mundo deles. Um abraço e o mundo gira tão rápido que eu nem consigo ver o tempo passar. O manto da noite se estende. Desdobrado sobre todos nós. Eu tenho bom gosto, mas não vá lamber minhas axilas atrás do sabor de morangos. Porque não é o que você vai encontrar. O corpo humano fede. A boca tem mais bactérias que teu intestino. Ainda assim, adoramos nos beijar. Minha vida toda em 3 fotos. Meu RG não é quem eu sou. O cara do RG é outro. Um tal de Macauli Cauquin. Esquecido em casa pelos pais em uma noite de Natal. Supimpa ! O som da chuva me faz dormir. A tua voz me faz acordar. Meu cachorro lambe meu cotovelo. O sol e a lua me visitam. A adega cospe uma garrafa de vinho que o anão taverneiro abre com o olho. "PLOP" faz a rolha ao saltar. Eu adormeço todo dia. Para nunca mais acordar....

Hoje é dia do amigo ?

Deixa eu pensar em algo bonito pra dizer: foda-se.

Canção de ninar para leitões.

Textos substanciais me confundem. Eu perco a linha e perambulo por esse labirinto tateando as paredes. Curvando meu tronco pra ver o chão. Tentando ouvir a brisa que me levaria pra fora daqui. É fácil tropeçar no limo. Pisar em insetos gosmentos. Bem de longe eu ouço um bumbo marcando o tempo. Como um barco de escravos vikings com um contra mestre que ordena o ritmo das remadas. Ele comanda meus passos. "- Seria esse som, o coração do labirinto ?" - devaneio em silêncio. Minha mente me engana. E textos substanciais me confundem. As paredes estão cheios deles. Escrita em elfo, anão, orc e algo mais. Todas palavras substanciais de quem passou por aqui. Antes de mim. Eu deveria escrever algo também. Acho um pedacinho de pedra ainda lisa. Bem no alto do corredor. Me ponho na ponta dos pés. Apoio a mão esquerda na parede úmida. Seguro minha faca como uma caneta. E escrevo: "Textos substanciais me confundem..." Um dia, um coral vai contar essa história. Vozes ao vento. E ...

O enigma do Command+Z

O presente é o passado do futuro que não aconteceu. Guarda o que tens. Tua alma, amor ou dinheiro. Salva do mundo, o que for. Estou cansado de me perder. De ir sem sair. Quero ser sem ter. Ouvir sem falar. Pular sem cair. Flutuar sem voar. E escrever, sem rimar.

Yael Nain é a música da máquina do tempo

- Dança num campo florido que vais entender. - Tá essa foi a coisa mais emo que te vi dizer em praticamente 3 décadas de vida. - É, eu sei. Mas tenta, tu vai ver. - Certo e desde quando tu escuta Fresno mesmo ? - Desde que eu comecei a sair com a tua mãe ! - Não precisava. - Imbecil. - És tu. - Ok, e aí ? Qual vai ser ? - Bicho, não sei. Acho que nada. E você ? - Igual. A mesma merda de sempre. - É incrível como o ser humano consegue viver uma vida bacteriana e se sentir feliz não é ? - Para com isso cara ! Parece que tais sentado na sala de espera do inferno ! Meu pirulito !!?!!! Cada um faz o que quiser com a sua vida ! Nem todo mundo precisa ter o ânimo do Amyr Klink pra sair por aí plantando árvores e se sentir o Indiana Jones ! Pessoas tranquilas gostam de vidas tranquilas ! - Ok, não precisa surtar. É que pra mim todo mundo é tanta gente que as vezes eu nem sei quem sou direito. - Seu idiota, todo mundo é assim. - Porra, precisas me chamar de idiota ? - Preciso ! - Maldito... - ....

Na falta de um nome, esse é o nome.

O que ninguém sabe. É desconhecido. O que ninguém lembra. É esquecido. O que ninguém vê. É invisível. O que ninguém sente. É desprezível.

Eu comprei um café enquanto chovia. Me molhei até voltar pro carro. Pensei em escrever um texto quando pisei numa poça. Descobri isso. E encontrei o

limite de palavras pro meu título. "I miss your face like hell" cantam As cabeças e os corações no meu ouvido. É. Não posso dizer que gosto do jeito que as coisas mudaram. Minha família vive em outro estado. E se você não sabe como ler isso, então nós não somos amigos. Não é bem assim. Mas pra Buda, minha mente agitada e sempre atenta, sempre pensando no passo além do próximo. É uma mente que precisa de ajuda. Acho que Buda está certo. Mas Buda não tinha internet, verdade seja dita. Muita coisa mudou desde a internet. Talvez Buda hoje pensasse diferente ? Possívelmente. Falando sobre Buda eu me lembrei que a vida é como um rio. Fazemos de tudo para represar nossos problemas e sentimentos. Mas no final... adivinha só ? A vida é como um rio ! Rios e ruas, me corrigem eles. Rios e ruas, até eu te alcançar. Me dá esse gosto amargo de que tá tudo bem. Pessoas ao redor de uma fogueira apontam pro céu durante uma chuva de meteoros. E eu mal posso esperar pela pós vida. Imagina a paz...

Indo pra frente.

Sem vontade alguma de escrever, um amigo me pede um texto. É bom saber que alguém lê essa jossa. Alguém sempre te vê passar. Alguém sempre te ouve falar. Alguém sempre se lembrará de ti. Esses são os anos de nossas vidas. E pode ser que agora, quando você lê isso eu já tenha ido embora. Morrido. Ou sido sequestrado por extraterrestres. Seja qual for o destino do planeta: esses são os anos de nossas vidas. Tuas certezas são como brinquedos de madeira para o Senhor do Tempo. Ele ri de nossas frivolidades. Sobre a tutela dele, tudo é desimportante. Pouca coisa realmente aconteceu. E qualquer linha escrita ou falada por nós, é uma piada. Ele espera o fim da humanidade como quem aguarda a uma gota de água secar no sol. Sem nem querer perceber as revoluções moleculares que se passam no seu interior. Ninguém o vê, ou o escuta. Pois essa é a vontade dele. Invisível ao entender. O Senhor do Tempo é um monumento a uma guerra que nunca ocorreu. Um marco de um dia que nunca chegou. Nem nunca chega...

Volta, meu amor.

Eu termino em mim. Dias nao. Dias sim. E por vezes minha alma brota. Do mais distante rincao. Sem certeza de quase nada. Urrando aos ventos e aos mares. Que nem um dia mais anoiteça. Nem um amor me aconteça. Nem uma flor mais, apareça. Sem que isto seja assim: É, eu nao termino em mim !

O meu ralo de idéias.

Dentro do meu mundo existe outra galáxia. Galáxia tem acento ? Foda-se. Já vi que vai ser um texto daqueles, vomitado diarréicamente (não tenho dúvidas que essa palavra não exista) pela ponta dos meus dedos. Sinceramente, eu sigo em frente por sentir saudade. Isso é da letra do Camelo, aquele um que era bem mais legal com a banda. E que se fudeu, porque a banda do amiguinho, o tal do Amarante, é muito mais foda que o projeto solo dele. Eu acho pelo menos. Mas enfim, eu sigo em frente por sentir saudade. Eu sei que sim. Dentro do meu mundo existe outra galáxia. Ela não tem nome. Mas tem data pra deixar de existir. Como todo ser humano que lê esse texto, eu também vou morrer um dia. E aí, tudo que eu escrevi, fiz, falei, toquei, caguei, amei, odiei, irritei, emputicei e tantos outros "eis" vai ficar pra trás. Algumas dessas coisas podem ser lembradas e vistas. Outras tantas, não. O caminho é mais importante que o chegar. Chegar é chato. A gente só chega pra ir pra outro lugar. ...

Eu não sei.

Depois do pulo. Pouca coisa te assusta. E como uma maldição. Como uma praga. Não importa o que haja. Pouco, será para ti. Teus olhos eternamente, verão, em lágrimas passadas. Teus dias são como linhas escritas em páginas viradas.

O velho Vidal.

Era um senhor desses que tu vê como foi a vida nas marcas do corpo e do rosto. De uma magreza quase doentia, exibia somente uma barriga proeminente. Redonda como uma melancia inchada. Diferente dos braços esguios quase esqueléticos. Dos ossos da face no lugar das maças. Dos olhos azuis profundamente depositados no fosso que era seu rosto. Aparentava ter algo entre noventa e cem anos. E apesar disso ser muito subjetivo, basta dizer que o velho Vidal mal e mal havia cruzado os setenta. Seus cabelos negros e grossos de outrora, foram substituídos por uma careca brilhante e chamativa. Sobravam-lhe apenas alguns fios discretos e encabulados sobre as duas orelhas. Orelhas por sinal, dessas que os antigos chamam de abano ! Como uma referencia ao leque que formam. Grandes orelhas, mas pouco eficazes. O velho Vidal era praticamente surdo. Isso fazia com que suas sombrancelhas, essas sim grossas e sempre despenteadas, permanecessem praticamente sempre franzidas. A expressão dava a ele um ar de i...