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A mostrar mensagens de março, 2011

No cars go - Arcade Fire e eu.

Eu escrevo poesia débil. Modesta e limitada. Faca de lamina cega. Porta de boca fechada. Minha vida segue a linha que piso. Trilha na floresta escura. Ouça o que digo. Mão e coração cansado. Não faço a barba mas corro quase todo dia. Se pudesse, fugiria ? Acho que não. O caminhar importa mais do que chegar, disse o Little Joy. A direção vem com o vento. Deixa o vento falar. Um café e um pequeno cholate. Doce e amargo no ritmo do bumbo. O baixo é o vapor da xícara. Espero até o ano que vem, que não vem. Mas tudo bem. Espero ela chegar. Sempre esperando algo existir. Um lugar pra morar, um carro pra dirigir ou alguém pra amar. Nada faz sentido quando está tudo explicado. Eu quero mais do que machados. Me disse Silvya Plath. Durmo enquanto vejo o mundo girar. Acordo disposto a tentar. Os dias que tivermos, serão os nossos dias. Sejam todos ou poucos. E nos encontraremos todos além do eterno mar do viver. Dispostos a voltar para cá : )

A piada de portugues não tem mais graça.

Fui caminhando pro escritório. Não demora muito, uns 20 minutos em média. Sai do meu prédio com o iPod no bolso e só dei play qd sai da minha rua. Random, vamos ver o que a ocasião me sugere. Beta Band, Weezer, Vampire Weekend e The Cribs... Fui pro disco do Cribs e retomei a banda aos meus ouvidos. Rock de 2007 com retrogosto anos 1986. O disco todo é muito bom, e eu não sei o nome. Mas é aquele que tem I've tried everything. Retrogosto. Vamos cozinhar algo hoje a noite ? Agora são 10h50 da manhã. Mas eu preparia algo para você. Ok, não sou profissional... Longe disso. Mas prometo que vou te fazer rir, ou vou morrer tentando. Ou vou queimar tentando. Ou vou perder o ponto da massa, tentando. Ou vou esquecer algo importante que vai estragar o prato, tentando. Não importa na realidade, escolhemos um vinho (conheço um portugues que é ótimo) e perdemos a noite conversando sobre a cor do invisível. Provocação ? Pode ser que seja. Afinal, aquele menino gordinho o tal do Zangief Kid tamb...

O anti herói da auto flagelação mundial.

Limpe sua bunda. Exatamente, limpe sua bunda. E permita que o outros limpem as deles. Limpar a bunda alheia é um costume social muito difundido. Não públicamente é claro. Até porque NINGUÉM gosta de falar de ninguém. Todo mundo quer que todo mundo seja feliz. O mundo é um lugar cheio de leprechauts dançarinos comediantes, donos de uma franquia de stand-ups. Que não visa lucro, somente a filantropia ! Por favor, simplesmente limpe sua própria bunda.

Não há nada lá para descobrir.

A verdade ? É que eu tentei escrever um texto sobre o amor. E adivinha ? Ficou uma merda ! E daí ? Daí que eu percebi que é muito egocentrico da minha parte (e de qualquer outra) falar sobre o amor e o amar. Ok, então ? Então eu preferi deixar registrado que amar é oque ninguém tem certeza se sabe fazer, mas que todo mundo quer tentar. Amar é um monte de coisa de fato, mas no final, deveria ser só o que vc espera que seja. Porque amar o vazio, deve ser algo muito angustiante... Com amor. Eu : )

Não te esqueças do que deves se esquecido.

Eu penso em poesia quando não devo. E quando sento para escrever algo que satisfaça minha vontade, me esqueço. Como uma piada sem muita graça, a providência divina me dá pensamentos e me obriga a não utiliza-los. Aquela mesma merda de sempre. Gostaria de poder provar pro planeta que minhas palavras carregam verdade. Mas às vezes, muitas vezes, é impossível. Porque provar o que se pensa não é uma escolha. Porque para provar algo, é preciso que alguém acredite. E não ser que vc controle o pensamento alheio com facilidade, isso é uma grande dificuldade. Mario Quintana disse que "aquela coisa dentro de nós, que pergunta se existe uma alma é a alma...". Acreditar no invisível aos olhos. Acreditar no que não é facilmente compreensível. Isso é poesia. Por muito tempo eu tive meus pés presos a quadrados de cimento. Por muito tempo minha rédea não me permitiu ver o céu. Por muito tempo, caminhei esta estrada só. Mas não mais. Eu acredito que não mais. Principalmente porque aquela voz ...

Qualquer coisa assim sobre você, que explique a minha paz.

Em algum lugar do Universo. Atrás de alguma constelação esquecida pelo Criador. Dentro do núcleo de algum planeta maldito. Inerte como a rocha fria, mas quente como lava. Esperando. Ouvindo. Pronto como um músculo que se contrái antes do movimento. Paciente mas determinado. Calmo mas preparado. Fora da percepção coletiva, mas perfeitamente lúcido. Alí, naquele rincão deixado de lado pelo existir deve haver algo que me explique o porque meu coração é assim. Porque minha calma custa tão caro. E porque caralhos demoro tanto pra encontrar um porque pra tudo. Se me custa pouco. Se vem de graça. Se é fácil. Desconheço. Eu me lembro é do que me faz sangrar ! Me lembro é do que perdi no mar. Me lembro é do vento que castiga meu rosto em silêncio como a tua falsidade faz. Mas verdadeiro como tu jamais será. Tenho dito.

As 7 estações. Ou eram 5 ???

O dia amanheceu comigo dirigindo. Foi bem legal. O contexto todo foi muito legal... Era um domingo e o sol de domingo é sempre legal de ver nascer. Acho inclusive que ele devia nascer mais de uma vez por dia... Sol de domingo é sempre aquela coisa. Meu relógio parou de funcionar as 5h58 da manhã. Me lembro que tocava "the head and the heart" no meu carro. Eu tinha fumado um cigarro fazia pouco tempo e tinha parado num posto de gasolina, onde comprei um café. Me disseram que o verão acabou, mas o verão não importa de fato. "- Importa o que não verão !" - me diz o rapaz enquanto bota gasolina no meu carro. É, isso importa. Não sei porque, mas deve importar. Importa o que não verão. Eu gosto do outono. O inverno é meu amigo. E apesar de ultimamente eu ver menos sorrisos e mais rosnados, ainda acho que tudo vai dar certo. A Beta Band não pode estar errada, no final das contas. E depois de tudo que já passamos, o mundo ainda é um lugar legal. Esquilos ainda são ratos bon...

Fernando Pessoa e um dia de verão.

Ao longe, ao luar, No rio uma vela, Serena a passar, Que é que me revela ? Não sei, mas meu ser Tornou-se-me estranho, E eu sonho sem ver Os sonhos que tenho. Que angústia me enlaça ? Que amor não se explica ? É a vela que passa Na noite que fica.

Era tudo mentira.

Acordei com gosto de ontem. A chuva secou. E o verão acabou. A espera do Sol, acima das núvens.

Poeirando poesia.

Me enjoo dos homens. De suas mentiras e meios amores. Esqueço meu corpo e me torno pó. Viajo invisivelmente só. Silencioso como o amar. É como aprendi a caminhar. Prefiro manhãs com cheiro de café. Do que noites sem cabeça nem pés. E que as mãos dadas nunca se encontrem. Que o amanhã, nunca olhe pro ontem. E que a poesia possa sempre morrer em paz.

Dona Laura (2).

Mas não era implicante com as meninas que trabalhavam em sua casa. Por vezes era excessivamente rígida, mas tinha seus dias. As aconselhava sobre seus namorados. Nenhum deles nunca era bom o suficiente. "- Porque o Cerqueira sempre me tratou como uma Rainha..." - dizia cheia de orgulho do próprio casamento. Apesar de suas ouvintes trocarem olhares de dúvida quanto a essa colocação. Nenhuma delas a contradizia. Não valeria a pena, no final das contas... Gostava dos velhos boleros. Sua vitrola, presente da mãe, era sempre limpa e posta para girar o prato de discos na mais alta rotação. Para que as engrenagens não enferrujassem por desuso. Nas manhãs de segunda feira, quando ficava sozinha em casa. Dona Laura, cantarolava alto os clássicos que ninguém mais conhece... De Carlos Gardel a Arturo de Navara. Ela conhecia todas boas músicas e as cantava com gosto de quem sabe o que está pronunciando. Mesmo sem nunca ter deixado o Brasil. Dona Laura sempre teve aquele ar cheio de si. U...

Dona Laura.

Dona Laura era uma mulher daquelas. Tinha 42 anos bem vividos, 24 deles ao lado de seu marido. Cujo a importância do nome sempre foi questionada. Os filhos do casal, sempre foram chamados pelos vizinhos e amigos de "Filho da Dona Laura...". Sempre que entravam na casa de um amiguinho do colégio. Com suas roupas bem engomadas, cabelos melados de gel e penteados melimetricamente para a esquerda e sapatos que refletiam tanto quanto espelhos. As mães presentes o apresentavam: "- Você conhece esse garoto ? É filho da Dona Laura." Seguido por um "- Aaaaah, olá, como vai vc ?" "- Boa tarde, vou bem e a Senhora ?" - respondiam parecendo pequenos andróides programados para te matar enquanto dormes. "- Mas são muuuito educados esses filhos da Dona Laura..." - diziam elas com aquele tom de satisfeitas que as mães as vezes tem... Dona Laura nunca trabalhou fora de casa. Ajudára seu pai na venda de secos e molhados que tinha. Mas somente no caixa. O...

Além de todas as coisas, havéra todas outras coisas !

Tomado por um espírito sereno e cheio de amor, é que escrevo neste momento. Vi um cara que fumava, e a fumaça saia pela testa dele. Na realidade ele tragava pouca fumaça e soltava quase tudo pela boca. A fumaça deslizava pela face do sujeito, passando quase despercebida pelos olhos dele. Até entrar nos cabelos e sair por entre os fios. Essa é a explicação chata do que aconteceu. A minha versão é diferente. Na minha versão ele possui furos na testa. Os furos são na verdade janelas para que o Zigprufils possam pilotar sua espaço-nave pela nosso planeta. "- Bicho, ta vendo aquele cara... ?" - apontei com leveza. "- Aquele com uma camisa de Darth Vader ?" - perguntou meu amigo. "- Não. O do lado... O com fumaça saindo da cabeça... Ta vendo ?" "- Hahaha to Leandro..." "- Ele é um extraterrestre !" "- Não cara, tu é !" Vi um café que falava. Ninguém achava que ele falava, as pessoas não acreditam em cafés. Ainda mais nos falantes. E...

Eu não gosto de bacalhau.

Por um momento, uma boa idéia me passa à cabeça. Boas idéias escapam como os dias ao mês. Noites em claro, uma ou duas talvez... Se o beijo me sobra. O guardo envolto em carinho. Para os dias mais longos ou as noites sozinho.

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Mesmo assim Nada é. Sol atrás de sol. Poesia. Só me resta nada ouvir. Nada esperar. E feliz da lágrima chorada. Que viveu sem se derramar...

O chá é das cinco. Mas eu prefiro o café.

Se fosse um filme, poderia começar com uma camera no travelling. Recuando lentamente num corredor de hospital. Tudo muito azulado, luzes brancas estouradas nas paredes. Um piano débil no sentido positivo. Lento e marcado. Sem pressa. A locutor de voz rouca e bem pontuada diria: "Espero que vc encontre o que procura. Para muitos de nós, a vida é uma eterna busca. Mas não uma busca material palpável ! Nem uma busca infantilmente sentimental. Não. Viver é buscar a vida. É procurar oque ninguém sabe se pode ser encontrado. E quando acha que encontra, não consegue ter certeza. Porque não há uma única forma de viver a vida. Existem muitas. TODAS, eu diria. E ninguém vai passar pelos dias que tiver, certo ou errado. Vamos chorar e rir. Vamos nos conhecer e nos esquecer. Vamos nascer e morrer. E todos estaremos certos e errados. Há quem aponte o dedo para cima e diga: "ó, o grande mistério da vida !" Não há mistério. Bom, na verdade ele existe. Mas fique tranquilo... Você só vai...