quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Aponta pra fé e reNa?

Dicionário online de Português. Significado de renando. O que é renando: Ato de renar, reclamar insistentemente.
 
Não rena, por favor.
Quem rena é tão chato.
Tudo bem devolver um vomito no braço da vida que nos soca. De vez em quando.
Mas não deixa isso virar uma regra. Tu consegue. E se não consegue, muda logo o que tá te chateando tanto. Se resolve no emprego. Assume a vida amorosa que não é igual ao do Friends, onde todo mundo se entende "não importa o que". Dá teu jeito pra fazer aquele mochilão pra __________(insira seu país de preferência) que tu vive sonhando. E para de reclamar. 

Eu sei que a vida pode ser bem desesperadora as vezes. 
E se tu for uma daquelas pessoas que nunca passou por uma parada desesperadora, melhor ainda! Mais fácil ainda! Ah não ser que tu sejas uma daquelas outras pessoas que reclama que esse ano só "deu duas Europa e uma Miami de leve porque a esposa foi junto", bom... Nesse caso, nem precisavas ter lido isso.

Sempre, será?

Se a vida fosse um quadro, que tipo de quadro seria?
Eu me perguntei isso enquanto ouvia uma discussão. Pessoas são grosseiras e más. Se destratam (em segredo), se agridem (pelas costas), se enganam (na calada da noite) e se escondem como furões em tocas na savana.
Se a vida fosse um quadro, precisaria ser feito com mais de uma técnica. A vida é pop art! Colorida, monocolor, icônica, debochada, triste e feliz. Depende de quem olha. De quando olha. E de por quanto tempo olha. 
Um dia, um amigo me disse que sua vida não ia bem. Perguntei porque. Ele disse que o tempo passou e que não sabia mais se estava sendo feliz ou não. Disse que passou tempo demais fazendo as mesmas coisas. Falando sobre os mesmos assuntos. Transando pensamentos dos mesmos jeitos. E que agora, parecia que tudo havia perdido o sabor. Que nada mais era como antes.

Nada é como antes. Porque tudo continua sendo o tempo todo. E o que poderia ter sido é sempre melhor do que o que foi. Porque não foi.

Algumas coisas são. O que foi, fica lá pintado no quadro da vida.
Nem que seja um borrãozinho no canto do quadro.


E o corvo de Edgar Allan Poe grita para nós:

"Nunca mais!"

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"We run away, but we don't know why"

Eles gritaram pra gente, nós não precisamos do seu tipo.
E eu pensei, tanta gente usa o plural errado.
Alguém me puxou pelo braço e disse que eu devia me preocupar com outras coisas.
Mas eu não consigo, respondi.
Fiquei sozinho e chorando vi minha boca sorrir.
Arcade Fire me lembra mais você do que eu conseguiria lembrar sozinho.
Obrigado Arcade Fire, eu te odeio.
Eu preciso da escuridão, alguém por favor apague a luz?
Ninguém apagou. Demorou dias. Até o tempo passou.
A areia do tempo sempre passa. Ela é feita de pequeninos grãos circulares que não ficam parados nunca.
Estão sempre em movimento.
Escorrendo.
E correndo.
E pulando.
E dançando.
E meus pés se mexendo.
Como o vento.
O vento que é o tempo.
O tempo que é o vento.
And now i'm ready to start.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Amanhã talvez, esse vendaval faça algum sentido. Canta meu computador.

Quando a lua chegou, ele olhou para cima com a calma de quem perdeu a guerra e disse:
- Você está atrasada querida.
- Vim o mais rápido que pude baixinho.
- Tudo bem. Esses anos todos foram longos demais. Longos demais para nós dois.
- Eu sei... - respondeu ela.
- Eu me perdi. Me encontrei de novo. E vim parar aqui. Longe demais de ti. Perto de mim. Mas em um lugar impossível de existirmos nós dois. Tu ficas ai, se mostrando pra mim e para todo mundo. E ninguém sabe o que você é. Ninguém entende o quanto tu és para mim. Porque talvez tu sejas algo que só eu consiga ver. Ou talvez, só eu veja o que eu acho que vejo em ti. E cada homem de pé nesse planeta, vê algo diferente... Isso te deixa ainda mais longe de mim e de ti mesma. Porque tu já não sabes mais o que és. Porque tu já nem te importas mais com o que és ou fostes. Tu entregou ao teu próprio reflexo do mar. E foi assim, sendo a guia de tantos marinheiros, de tantos astronomos, de tantos poetas e romanticos de coração partido, que tu te perdeu. E deixou de ser o que tu mesmo eras.
- As tuas palavras são cheias de dor pequenino. Uma dor grande demais para um ser tão pequeno.
- Eu não conheço o tamanho da minha dor. Ela é do meu tamanho, exatos 1.88m de altura. Mas eu decidi uma coisa querida...
- O que? - me perguntou a lua.
- Eu vou até o fim.
- Vais me entregar para o sol?
- E contar do nosso caso?
- E contar do nosso caso... - respondeu ela envergonhada.
- Talvez. A unica coisa que me impede, é o teu sofrimento. No fundo lua, eu te protejo da própria dor que tu te causou. Eu sou o pilar que sustenta a tua mentira. E aos olhos do mundo, eu sou a causa da tua ira. A causa do teu sofrimento.
- (silêncio lunar).
- No fundo, tu permanece no céu ao lado do sol, porque eu deixo.
- Eu deveria te agradecer?
- Não. Tu deverias deixar esse planeta e me deixar olhar para um céu sem luar.
- É isso que tu queres?
- Não. Eu só quero ser cego e não poder te ver nunca mais.
- Não sei o que te dizer.
- E eu não sei o que não te dizer. Tu estas atrasada. E eu vou continuar a caminhar aqui. É o melhor que faço.
- Mas...

Dizem que nessa noite a lua chorou. Seu coelho fugiu. O dragão morreu. São Jorge não pareceu. E os amantes não se beijaram. Porque nessa noite não havia amor no mundo. Nessa noite, o amor foi embora.



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Eu e meu sorvete de limão.

Aconteça o que acontecer. O verão é a terra do "nunca". Onde o mundo para para esquentar todas suas relações. Meu perfume suado chega pra dizer ao cheiro que sim. O sim eterno. E é isso mesmo o que desejo. Esperar que haja mais verdade em todo tipo de sim. Se eu fosse você, já tinha chegado em mim. E me dito que sim.
Como água que evapora no calor da rua.
Como amor que escorre por entre os dedos da mulher nua.
Como a eternidade que não dura tempo o suficiente.
Como a vida que é curta, mesmo sendo longa e dura.
Como a alma que não é pequena, mas é cheia de coisas que não valem a pena.
Como os sonhos que tem quem queira, simples como folhas em branco voando ao vento.
Como a pipa que passa pelo vento, em silêncio.
Como a página do livro que escrevi e mesmo depois de publicado, ninguém leu.
Como as moedas que caem no chão e giram mais do que deveriam.

E por um minuto eu me esqueci.

Isso é só um sonho. 

E eu odeio despedidas. Mas tudo bem, o dia vai rair. Pra gente se encontrar de novo...